quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Broto de bambu ou takenoko no missô




Depois daquela oficina de meliponicultura, que eu citei aqui ainda sobrou um tempinho antes da chuva para conhecer o sítio do Jerônimo Villas-Bôas, o professor, que é meu amigo e consultor para assuntos meliponíferos. Tudo era lindo e cheio de surpresas, como o verdadeiro mar de bambus com centenas de brotos. De safra curtíssima, agora é o momento de colher, quando lançam estes grandes brotos ou takenokos (que quer dizer exatamente isto, broto de bambu, ou bebê de bambu). Está certo que o ideal é fazer como os japoneses que saem preparados com cestas e enxadas e só coletam aqueles que ainda conservam grande parte do corpo abaixo do solo coberto de folhas. Estes são mais mansos (sem aquelas substâncias cianogênicas que os fazem amargos e algo venenosos) e sem amargor. Mas não tínhamos nada disso, pois foi surpresa nosso encontro. E diante de tantos grande e pequenos, escolhi todos que pudemos carregar. E tive que tirar os brotos dando uma leve bitoca com o pé bem firme. Não foi difícil tirar assim. A desvantagem é que machuca um pouco a base dos brotos que depois precisam ser descartadas. Mas meus chutes foram certeiros e só machuquei uns três ou quatro.

Cecília, a filhinha do Jerônimo, tem seis anos e ficou super interessada quando disse que aqueles brotos eram de comer. Numa distraída minha a peguei experimentando uma lasquinha. - Hum, come-se mesmo, é gostoso! Disse que levaria um para a bisavó preparar no jantar (já sei que foi feito pro almoço do outro dia). Nas descobertas, cortou o dedinho com a face serrilhada de uma folha - queria que ela já levasse um limpo para casa e por isto descascamos ali mesmo. Só contou porque começou a sangrar, mas como medo de impedirmos que continuasse na brincadeira, já foi logo avisando: - Olhe, eu cortei um pouquinho o dedo, mas é só um pouquinho, nem está doendo. A menina curiosa já entende tudo de abelhas sem ferrão, agora já começa a entender também de colheita de bambus e possíveis acidentes. Voltamos com o porta-malas cheio.

O porta-malas virou porta-takenokos
Quanto ao amargor, estes são da mesma variedade que a Marisa Ono me deu e sem amargor algum quando bem fresco. À medida que o tempo passa, começam a ficar mais amargos. Não foi o caso.  Mas é sempre bom aferventar antes de usar. Se não é amargo, basta lavar bem e cozinhar até que fiquem macios. Jogue a água fora e os pedaços estão prontos para serem usados.  Se estiverem amargos (pode provar uma lasquinha mínima na ponta da língua, como fez Cecília), é bom juntar à água um pouco de bicarbonato (1 colher (chá) a cada três litros de água, mais ou menos - é o que meu pai costuma fazer) e fazer troca de água umas três vezes até os brotos perderem todo o amargos. Os japoneses usam farelo de arroz e pimenta seca.

Não sei do que gosto mais, de comer ou olhar os desenhos
Amargor o meu não tinha, então não precisei usar artifícios, além do sal. Mas da dica da pimenta gostei. Além de deixar o vegetal apimentado, parece que confere certa doçura. Usei pimentas frescas partidas ao meio. Mas vai do gosto.

Uma pessoa no Instagram deu a dica para eu preparar um refogado com missô, mirim, saquê e cebolinha no final. Foi o que fiz e ficou delicioso. Depois vou postar as outras receitas que fiz. Por enquanto, fiquem com esta - o missô é especial, só não sei é o que ganhei da Marisa ou da Mari Hirata. Só sei que os dois são caseiros e divinos.

A receita é coisa inventada de acordo com a dica que pedia para refogar antes cebola em óleo. Mas imagino que japoneses e seus descendentes tenham receitas mais apuradas e que podem me passar (ainda tenho takenokos ..). De qualquer forma, este refogado ficou delicioso. Eu comeria só isto com arroz pra sempre.

Broto de bambu com missô

1 colher (sopa) de óleo
Metade de uma cebola picada
200 g de broto de bambu (takenoko) cozido e picado
1 colher (sopa) de saquê
1 colher (sopa) de mirim
1 colher (sopa) de missô
1 colher (chá) de açúcar
Cebolinha a gosto (eu só tinha um pouco)

Aqueça o óleo com a cebola e espere murchar. Junte o broto de bambu e os temperos todos misturados com um pouco de água (menos a cebolinha). Deixe ferver uns cinco minutos, juntando mais água se necessário. Prove o sal e junte mais missô se precisar. Apague o fogo, junte cebolinha e abafe para que murche um pouco. Sirva com arroz.  Acrescentei um ovo cozido e nhac!
Rende: 4 porções



Cecília já levou o dela limpinho 


10 comentários:

ace maxs disse...

emmmm like in my country :)

António Jesus Batalha disse...

É para mim uma honra acessar ao seu blog e poder ver e ler o que está a escrever é um blog
simpático e aqui aprendemos, feito com carinhos e muito interesse em divulgar as suas ideias,
é um blog que nos convida a ficar mais um pouco e que dá gosto vir aqui mais vezes.
Posso afirmar que gostei do que vi e li,decerto não deixarei de visitá-lo mais vezes.
Sou António Batalha.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se ainda não segue pode fazê-lo agora, mas só se gostar,
eu vou retribuir seguindo também o seu.
Que a Paz de Jesus esteja no seu coração e no seu lar.

Anônimo disse...

oi Neide foi para a chácara este final de semana e não resisti, temos uma plantação de bambu que cresceu desordenada daquele de fazer varinha de pesca, os brotos são fininhos mas parece um palmito de tão adocicado, mas como não conheço limpei e fervi com sal, deixei cozinhar por uns 20 min. passei por agua corrente e estão em potes com agua na geladeira e levemente salgados, fiz uma fritada com eles, coloquei em saladas uma deícia. mas fiquei encantada com o tamanho destes seus brotos.aprendo muito com vc. bjus
Elisangela
Campo Grande/MS.

Fernando Goldenstein Carvalhaes disse...

Neidoca que coisa mais linda e com cara de saborosa!!

Anônimo disse...

Neide, bela colheita.
Aprendi, novembro e mês de colher bambu.
bjo ana

HenriqueK disse...

Neide, já vi comerem os brotos de bambu de pesca, uns bambus verdes de moitas bem densas, uns enormes que tem na Ilha Grande, uns pretos e bem peludos e esse aí que parece ser o mais consumido pelos nipodescendentes (que eu por sinal nunca provei). Um post sobre as variedades comestíveis seria muito interessante. Depois de bem escaldados são todos "mansos"?? Abcs

HenriqueK disse...

Neide, desculpe, só lendo os posts mais antigos que vi as respostas para meu comentário. Obrigado

Anônimo disse...

Que blog maravilhoso. Conheci agora e estou lendo faz mais de 2 horas! Os brotos de bambu me lembraram minha avó, que os preparava em conserva. Pena que damos atenção a certas coisas muito tarde, não aprendi com ela.
Estou aprendendo muita coisa, muito bacana. Pena que moro longe, pois adoraria participar do Santa Madre day. Conheço muito pouco, pelo visto.
Abraço
Gisele

Mitsu Bomra disse...

Faz muitos anos que não como takenoko, hj me deu um vontade incrível e cheguei aqui neste blog. Feliz de saber que não vai ser difícil fazer. Mas igual ao do meu PAI jamais, infelizmente, ele esta num outro plano, foi prá lá com 102 anos. Era delicioso, era a base de shoyo, vou tentar. Abs

- Elis - disse...

Oi, Neide, tá na época de takenoko, comprei hoje na feira e fiz refogado com azeite, tomate, cebola, salsa, cebolinha, sal e pimenta do reino. Fica ótimo. Já anotei a receita com missô para a próxima. Um abraço aqui da Penha/SP.