terça-feira, 29 de julho de 2014

Pão de queijo da Canastra feito pela Romilda em São Paulo

Dendê se deu bem com esta visita 
Fiquei a semana passada por conta da amiga Romilda, que veio de São Roque de Minas, Serra da Canastra, junto com o filho João Vitor e a amiga Cleuza, e ficaram na minha casa.

Romilda foi convidada pelo Sesc Belenzinho para dar duas oficinas sobre o queijo num ciclo de atividades chamado Comer É Mais, do qual sou curadora.

Como os três nunca tinham vindo a São Paulo, aproveitei para passear e mostrar como vivemos aqui.

Já no primeiro dia, andamos de trem, metrô, escada rolante e esteira rolante, tudo novidade. Romilda adorou tudo, disse que agora só falta andar de avião.  Fomos ao mercado da Lapa, ao restaurante Tordesilhas, à feira e ao sacolão. E ainda quiseram conhecer a Rua 25 de Março, que eu não suporto, mas quem é de fora tem curiosidade. Fomos também ao Mercadão e Romilda quis sair correndo de lá assustada com os preços que chamaram mais atenção que a arquitetura e a diversidade.  Nada de pastel nem sanduíche de mortadela, ufa.

Minha casa virou uma queijaria 
Na mala, Romilda trouxe 25 quilos de polvilho azedo, mudas de framboesa, sete-capotes e gabiroba para eu plantar e, claro, muito queijo Canastra, sendo que a maioria comprei pra mim. Maturado, dura muito tempo.

O Segredo do pão de queijo da Romilda: testamos a receita do pão de queijo em casa e descobri mais um segredo, que eu não sabia quando dei a receita e dicas aqui no Come-se (http://come-se.blogspot.com.br/2014/01/canastra-o-pao-de-queijo-da-casa-da.html). Além do polvilho azedo, que tem que ser bem puro e este que ela trouxe é, a forma tem importância fundamental. Ela não aceitou assar na forma de alumínio que eu tinha porque era muito grossa. Tivemos que comprar uma mais fina, de chapa galvanizada. Segundo ela, o alumínio fino queima e o grosso demora pra aquecer e enquanto isso o pão de queijo não cresce e vai ressecando por cima. Outra coisa, o pão de queijo deve entrar no forno bem quente (o máximo, no fogão doméstico) e depois que cresceu bem, deve continuar em forno mais baixo para continuar secando e não murchar. Aquelas formas com cavidades para os pães de queijo também servem. Como os pães são enrolados com as mãos untadas com óleo, não é preciso untar as formas.  A quantidade de queijo às vezes varia. Na aula, pesei o que ela usava intuitivamente e deu 250 gramas para 1 quilo de polvilho. Ficou excelente, todo mundo elogiou.

Na oficina, vimos um trecho do filme "O mineiro e o queijo", de Helvécio Ratton, do qual Romilda participa com o marido, Zé Pão. No início, Romilda estava meio tímida, depois se soltou, contou causos e todos os segredos do pão de queijo. Querida que é, teve como assistente voluntária Mara Salles, chef do restaurante Tordesilhas, e nem por isto se intimidou. Alguém perguntou à Romilda se ela tinha gostado do pão de queijo de São Paulo. Séria, ela disse que não tinha visto pão de queijo em São Paulo.  Todo mundo riu, vendo aí uma provocação. Até eu achei graça, mas ela mudou de assunto, meio sem entender as gargalhadas. Só no dia em que ela foi embora é que me toquei que aquilo não foi nenhuma ironia. Ela, de fato, não viu nem comeu nenhum pão de queijo em São Paulo. Falha minha. Poderia tê-la levado no La Da Venda, mas não deu tempo.  Já os queijos azuis e mofados, ela viu no Mercadão, mas disse que ficou com nojo. Não teria coragem de comer aquilo, não. Do Grana Padano que provou numa banca, gostou bastante.

Amanhã dou a receita e falo da oficina de lobozó. Por enquanto, fotos da oficina de queijos (e fique ligado na página do Come-se "Próximos Passos").

Romilda no Mercadão
Na oficina, O Mineiro e o Queijo
João Victor, Cleuza, Marcílio, Mara Salles e Romilda
Eu, Romilda, Drika, Val e Mara 
Cleuza, Romilda e João Vitor no Tordesilhas
Testes no meu forno - veja as formas que deram certo
Preciosidade de Canastra
Quentinho, na oficina 

11 comentários:

Diego Manoel disse...

Pão de queijo gigante!
Só tentei fazer uma vez e ficou sem gosto, mas vou tentar de novo.

Anônimo disse...

Adoro pão de queijo que encontro em dois ou três lugares por aqui. Há uma cadeia de supermercados que os vende mas mais valia que o não fizessem, umas bolinhas murchas, sem gosto nem piada.
Também nunca gostei dos queijos azuis que, às vezes, são mais para o verde...
D. Romilda tem toda a razão!
Abraço
Manuela Soares

Anônimo disse...

Ai,que delícia !! Adoro pão de queijo. Nunca fiz,apenas assei os que minha mãe fez e congelou. Salivei aqui, Neide. Vou tentar fazer. Liliana.

Diego Manoel disse...

Gorgonzola não é o tipo de queijo que comeria puro, numa quiche de espinafre fica bom e a última descoberta, tapioca com gorgonzola e geleia de pimenta, fico bom d+!

lili disse...


#água na boca

Juliana disse...

puxa vida, como foi que deixei passar esta? estou arrasada. :(

estarei ligadiiiissima nos próximos passos.

belo pão de queijo.!

Ju

Vanisa disse...

Eu adotei a receita de Romilda como minha, inclusive a cruz no fim da massa. Vou adotar mais estes macetes. Ainda não tive a sorte de conhecer a Serra da Canastra nem seu queijo, mas sonho com isso. Aqui no interior de SC não tenho muita chance de conseguir.
Um dia ainda vou pra lá provar este tesouro brasileiro.

Aloisio disse...

Bem que poderia ter um workshop desse aqui no Rio. Eu adoraria ir pois amo seu blog e sou apaixonado pela simpatia da Romilda ;)

Gustavo disse...

Olá, gostaria de saber qual é a marca desse polvilho que a Romilda trouxe. Obrigado!

** Marcela Lima ** disse...

Olá!! Obrigada por compartilhar a receita da Romilda!! É realmente divina. Fiz duas vezes já, depois que vi o filme. Mas também não sabia desse segredinho da forma. Que bacana!!

Onde a gente encontra essa forma? Procura por forma de chapa galvanizada mesmo ou tem algum outro nome no mercado?

Agradeço se puder responder!

Grande abraço!

Herald Rodrigues disse...

Adorei o modo como ela ensina!