quarta-feira, 31 de julho de 2013

Mala cheia de Goiânia



Acabei de voltar de Goiânia, terra das melhores pamonhas e do empadão. Com as malas lotadas, sempre. E feliz por ter visto naquela cidade o surgimento de um movimento de gente jovem ligada à gastronomia interessada em promover uma cozinha riquíssima, porém desconhecida não só do resto do Brasil mas também dos próprios goianos que vem preferindo olhar sempre pro quintal do outro sem valorizar e cuidar do que nasce no próprio. Foi com este espírito que Mara Salles, Ana Soares e eu fomos apresentadas a lugares incríveis para conhecer gentes e suas comidas, do campo à mesa. Para saber um pouco mais da expedição, veja o que já foi postado no facebook na página do "pitadas"

A expedição Pitadas, um esquenta para o Festival de Gastronomia de Goiânia que deve acontecer em breve, organizada por Rodrigo Lopes, Humberto Marra e Emiliana Azambuja, percorreu quilômetros dentro de uma van com três curiosas e equipe de apoio, vendo, sentindo e provando de tudo. Alguém disse que estávamos praticando a dieta do frango de granja - enquanto há luz acessa, tá comendo. Mas não é toda hora que se pode comer zé pereira, empadão, bolo de arroz, biscoito frito, manjar de fubá de arroz, mané pelado, pamonha frita e veronica. Em alguns momentos, tivemos até a companhia das câmaras da imprensa (aliás, passou hoje na TV - veja aqui) acompanhando nossas reações.  

A mala cheia é como um livro em que cada coisa trazida encerra em si a síntese de uma história vivida. Mas tem também as histórias e comidas e histórias de comida que não cabem em bagagem alguma. Estas serão lembradas para sempre. E numa expedição o que não faltam são histórias e nascimento de novas amizades. 

Só para situar um pouco nossas andanças pelo que trouxe na mala, espalhei pela mesa cúrcuma (açafrão-da-terra) purinha, bucha, colorau, feijões, panelinha, colheres de alumínio e pimentas compradas na feira do Ateneu;  pastelinhos da dona Augusta e da Rita;  baunilha do Cerrado e cestas de buriti, da banca da Inês no Mercado Central da cidade de Goiás;  mel, hibisco,  geleia de hibisco e verônicas,  de Pirenópolis;  bolinhas de puba, fubá de canjica e fubá de arroz, no Mercado da 74; coadores de pano, no Mercado Central; requeijão moreno, fécula de mandioca e doce de buriti, de Teresópolis de Goiás etc. E teve ainda os presentes: panelinhas, da Tati; livro da Tanea, fotos do Alexandre. 

Aqueles que não trago na mala, os trarei pra sempre nas melhores e densas lembranças, como carimbos em bronze para veronicas do Divino  (aguardem novos posts). Só para citar algumas pessoas especiais que encontramos nesta viagem:  Edvania e Pedro, do restaurante Porto Cave, Dona Inês, do bolinho de arroz na cidade de Goiás, Dona Lourdes do restaurante Popular,  Dona Augusta dos pastelinhos e flores de coco da cidade de Goiás, Rita dos pastelinhos da cidade de Goiás, Maria e Divina que cultivam a terra em assentamento do Arraial do Ferreiro, na cidade de Goiás;  Dona Albertina, Seu Bié e Elias, do Promessas do Futuro, que cultivam orgânicos e fazem geleias;  Dona Valentina, Ilma, Valdir e Volney, que fazem pamonha na feira do Ateneu em Goiânia  e as quituteiras e veroniqueiras de Pirenópolis: Dona Teresinha de Arruda, Dona Teresinha Mônica,  dona Irma, dona Divina e Cerise. Nunca poderei esquecer ainda dos tantos anfitriões que foram tão generosos nos hospedando e/ou nos dando de comer do bom e do melhor, do jeito alegre que o goiano sabe ser, especialmente Rodrigo e Andrea, Kátia, Cristina,  Caio, Andreia Leal, Claudio Ortencio e o pessoal da Agepec (Associação Goiana dos Profissionais e Estudantes de Cozinha). E ainda o pessoal que deu todo o suporte para que a expedição fosse um sucesso: Luciene,  Mariana, Murilo, Ana Carolina, Cleiton, Denise, Alexandre, Tatineide (e se esqueci de alguém, foram os quilos a mais e a noite mal dormida que agora me embolam o pensamento). 

Dos novos amigos, impossível citar nomes sem cometer injustiças, mas uma coisa é certa: comida agrega. Aqui foi só uma pitada de muitas outras histórias goianas por vir nos próximos dias.  


Uma coisa mais: ontem fui dormir à meia noite porque depois disso viro abóbora, mas a festa na cozinha continuou na chácara onde ficamos - muita gente cozinhando, comendo, bebendo, brincando. Uma das atrações era o maria-isabel que, quando fui dormir,  cozinhava cheiroso no fogãozão pilotado pelos jovens cozinheiros Rafael, Raoni e Heitor. Hoje de manhã consegui rapar o fundo da panela e surrupiar uma marmita. Foi chegar aqui, esquentar o arroz,  fritar um ovo e nhac! Só pra fazer a transição. 



11 comentários:

Anônimo disse...

Olá Neide,
Me divirto muito com seus textos, um raro prazer ao ler sobre as tuas andanças nesse mundão sem fim.
Hoje fiquei curiosa, não sabia o que era "maria-isabel" que havias citado e, pelo que achei no google, trata-se do nosso "carreteiro" aqui no Sul, corrija-me caso esteja errada. Outra dúvida, da qual nada achei... o que vem a ser verônica?
Beijo,
Júlia - Florianópolis/SC.

Ana disse...

Oi, Neide

Foi um prazer recebe-la em nossa casa. Foram dias maravilhosos de andanças dos quais já estou com saudades.

Anônimo disse...

Neide adorei suas andanças por minha terra, queria saber se voçê aprendeu fazer as verônicas,que faz muitos anos que não saboreio este doce, ninguém te falou do mane peitudo é um prato bem antigo, vou te dar a receita, era pra matar mesmo a fome.veronica na época da festa do Divino em Pirenópolis, era como se fosse sagrado distribuído para todos os convidados do imperador.

Nelson disse...

Poxa Neide, você veio aqui em Goiânia e não tive oportunidade de lhe dar um abraço... Fica pra uma próxima vez. Adorei o post e adorei ainda mais saber que você levou consigo um pedacinho dos nossos sabores. Um abraço!

santadica disse...

Oi, Neide,
Fico menos invejosa de não ter participado do fidurço aqui em Goiânia, porque você, pelo que conta, foi muito bem tratada e circulou bastante.
Olha, informe direitinho sobre os achados e o festival pelo blog.
Às vezes, mesmo perto, a gente nem fica sabendo.
Bjão
Thania

Alexandre disse...

Neide querida (olha só a intimidade que dias de convivência proporcionam...rs),
Lindo texto e foto (das matulas)idem. Passando pra deixar um abraço do mais novo fã! Goiás espera pela sua volta em breve, para mais pitadas de conversas, andanças, risadas, descobertas enfim. Bj grande,
Alexandre

Tati Barros disse...

Volta logo Neidoca.Portas,janelas e corações abertos pra recebê-la sempre.

Teresa Andrés disse...

Chegou? Então vem pra Minas agora!
Vai ter de paiauaru (?) a pipoca agri doce alla neide rigo!!!

beijos

Teresa

Fernando Goldenstein Carvalhaes disse...

Neide,

Que beleza... mosaico de sabores.
Impressão ou tem uma orquídea baunilha no meio?
Hoje vou te enviar um pouco de curcuma do irã! que foi seca de um jeito impressionante, que precisamos aprender!

Neide Rigo disse...

Júlia, obrigada! É isto mesmo, uma espécie de arroz de carreteiro, com carne seca.

Ana, saudade tenho eu. Obrigada pela delicadeza e profissionalismo.

Quero a receita do mané peitudo. E das verônicas, falo em breve. Vi fazendo e trouxe algumas.

Nelson, em outubro tem o festival, do qual vamos participar.

Thania, fomos super bem tratadas - melhor tratamento seria impossível. Pode deixar, que vou contando.

Alexandre, já estou morrendo de saudade dos expedicionários. E não me canso de olhar meu presente feito por você com tanta dedicação e carinho. Obrigada!

Ô, Tatineide, você também vem pra cá, não vem? Saudade!

Teresa, querida, como eu gostaria.. Mas já viajo de novo no dia 13, com tudo aqui por fazer. Vai mostrar tudo no blog? Quero ver como vai ficar este paiauaru (e a pipoca, qual é?). Bom casório!

Fernando, sim, é baunilha do Cerrado. Trouxe muda e se conseguir reproduzir, troco pela cúrcuma do Irã (não trouxe pra plantarmos?)

Um abraço,n











Lúcia D S Guerra disse...

Neide que descrição maravilhosa da sua passagem por "minha terra", terras goianas...de onde vi e onde a maioria dos meus familiares ainda permanecem. A diversidade e a simplicidade da culinária goiana, me surpreendem! A hospitalidade então, nem se fala.