terça-feira, 16 de abril de 2013

Sambal com goiaba do piquenique


Poderia ser de tomate, mas vamos combinar que o fruto está fora de época de comprar e fim de papo. A gente vive sem ele. Basta lembrar que houve um período histórico na humanidade em que as espécies vegetais tinham sua safra e fora dela cozinheiros e comedores se viravam com o que nascia por perto no momento. Aliás, ótimo texto do Dória no Aliás do Estadão, no domingo.  

Pois, aqui por perto, temos goiaba. É vermelha igual, tem licopeno até mais. Tem mais doçura, mais perfume, menos acidez, mas, assim como o tomate, vai bem em molhos com pimenta ou ácidos e temperados, como ketchup ou sambal. 

Outro dia dei aqui a receita de sambal feita com polpa de tamarindo, mas,  agora, dada a fartura de goiaba que assola a cidade de São Paulo e interiores próximos (longe, não sei), me vi com um pequeno volume de goiaba que não poderia ser guardada crua a não ser que quisesse minha casa e armários infestados com o lado B do perfume da fruta, que lembra urina de gato. Depois de cozida, pode ser guardada até na geladeira sem contaminar queijos e manteigas. 


Bem, no dia do piquenique coletamos algumas goiabas na praça. Marcos subiu no pé, chacoalhou sobre a toalha que era segurada por adultos e crianças. Enquanto conversávamos, descascamos todas elas e descartamos o miolo que era meio-a-meio bicho-e-semente. As partes firmes estavam livres de bichos e ficaram prontas pra irem ao fogo em casa. 


A receita da compota, dou depois

Dividimos porções e a minha virou doce de orelha (receita dou depois) e sambal. Para o molho de pimenta eu poderia ter usado apenas o miolo batido e separado da semente. Mas neste caso, usei a polpa mesmo, pois o miolo, como já disse, tinha bicho e eu não queria um sambal proteico. Para ficar mais ácido, coloquei um pouco de suco de limão e o resultado é divino de bom. 


Sambal com goiaba 

1 xícara cheia de pimentas picantes (maduras e verdes), sem os cabinhos, mas com sementes
1 cebola roxa média picada 
1/4 de xícara de água 
1/4 de xícara de azeite
1/4 de xícara de açúcar
1/2 colher (chá) de sal 
2 colheres (sopa) de suco de limão1/2 xícara de polpa de goiaba (a goiaba sem sementes batida no liquidificador com um mínimo de água) 

Coloque no liquidificador as pimentas, a cebola e a água. Bata até triturar bem.  Numa frigideira, aqueça o azeite e despeje a mistura do liquidificador. Deixe fritar bem, até a mistura começar a se separar do óleo, soltando perfume de cebola dourada. Junte, então o açúcar, o sal, o limão e a polpa de goiaba e deixe cozinhar até ficar cremoso e denso, mexendo de vez em quando. Coloque em vidro aferventado enquanto ainda está quente - aos poucos, o vidro sobre um pano, para não quebrar. Sirva com carne assada ou vegetais. 




7 comentários:

Maria de Lourdes Ruiz disse...

Bom dia Neide! Aqui na zona rural também só temos as frutas da época, no mercado só compramos as frutas de outras regiões (maçã, pera...) e convivemos muito bem! Vou fazer o sambal de tamarindo, que é o que tenho por aqui,tomate nem pensar! Mas com a goiaba tenho que esperar o ano que vem porque por aqui já acabaram.
Bjs

João Inácio disse...

O auge da goiaba aqui no RS é o mês de fevereiro e início de março. Este ano, com o outono chegando mais cedo, a safrinha tb se foi (muito) mais cedo. Mas nos supermercados da vida, no entanto, é possível encontrar goiabas à venda, enormes, lindas e tão caras quanto o famigerado tomate. Alguém compra?, eu me pergunto. Afinal, nas ruas de Porto Alegre as goiabas (e tb as amoras, as cerejas, as pitangas, o jambolão, a uva-do-japão e os araçás) forram as calçadas e quem aproveita mesmo são os pássaros (não à toa, POA é a capital brasileira com o maior número de "pássaros urbanos", mais que Manaus e Belém, quem diria.)

Na Europa, qualquer frutinha que dá no mato as pessoas colhem, fazem doces, tortas e geleias. A avó de um amigo alemão me contou que no tempo da guerra (e muitos anos depois ainda), com a fome apertando na Europa, o povo considerava as frutas silvestres e os cogumelos dos bosques como dádivas divinas. Aqui no Brasil, o país em que a fartura brota da terra, as pessoas se dão ao luxo de colocar fontes preciosas de vitaminas no lixo.

Quando o povo brasileiro vai aprender a valorizar o que a natureza nos dá de graça? Será que vamos aprender algum dia?

Abraços a tds!

Carol Costa disse...

OiEE!!
muiyo legal o seu blog, parabens!!
adorei as fotos!!
Bjinhooos!!

Gilda disse...

Sambal proteico ficou hilário; só nutricionista mesmo para pensar em expressar o fato de tal forma.

maria luisa disse...

Oi Neide!
Pena que aqui a safra de goiabas já acabou. Mas a receita tá anotada pra próxima vez não fugir da panela!
bj

Leticia Cinto disse...

Afe, isso deve ficar muito bom! Entrou na minha lista :) Bjs!

Flora. disse...

Não sei porque venho ler aqui tão de vez em quando, me apaixono pelas receitas toda vez.
Dá vontade de comer o que você escreve.

Beijo!