segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Gergelim preto. Resposta da charada

Salada de mamão verde com amendoim e gergelim 
Pois é, muita gente acertou a charada. Obrigada a todos que responderam. E mesmo quem conhece gergelim preto desconfiou do fruto, uma vagem seca pouco vista ao natural. Eu só percebi a planta nascendo em Piracaia quando a flor como beijo cor de rosa despontou contrastando com o verde da paisagem dominante. Abri o fruto verde e as sementes ainda eram branquinhas. Eu só tinha visto um pé de gergelim duas vezes - no recôncavo baiano, junto a uma plantação de araruta, e na Ilha do Marajó, na fazenda da Dona Jerônima.  Não me lembrava de ter plantado, mas certamente foi resultado de uma revoada de sementes de fundo de sacola que, todas misturadas, algumas comidas por um ratinho,  que encontrou a sacola quando ainda não tínhamos como dormir na casa,  furou sacos, bagunçou tudo. Marcos e eu despejamos as sementes num pano, separamos o que foi possível e plantamos numa sementeira. O resto, principalmente as miúdas incluindo cominho, erva-doce e gergelim branco e preto, destes comprados no mercado mesmo, jogamos aleatoriamente para o alto para quem sabe contribuir com o banco de sementes daquela terra - ou com as formigas, passarinhos, cobras e morcegos, enfim, com a bicharada que chegou antes de nós. Se algo nascesse, estaríamos no lucro. 









Abre-te sésamo: diz a lenda que a chave com que Ali Babá conseguia abrir a caverna encantada cheia de joias, moedas e pedras preciosas guardadas pelos quarenta ladrões tem a ver com o espoucar a um só toque das vagens de sésamo (Sesamum indicum), que se abrem mesmo sozinhas quando amadurecem,  lançando longe as sementes. Eu não quis esperar para ver (e perder a pequena produção de um só pé) e colhi as vagens verdolengas. Deixei secar sob o sol em cima de um pano e elas se abriram espontaneamente. 

Outros nomes para o sésamo, além de gergelim, incluem, mundo afora,  derivações do árabe djildjilán.  Vem daí gerzeligerzelimgingelimgingerlimzirzelim e sirgilim. Acredita-se que a planta seja originária das regiões tropicais da África e da Ásia e que no início da colonização da América do Sul e Central, ele tenha sido trazido pelos portugueses e espanhois. Hoje está espalhado por vários países com uma grande de variedade de tipos morfológicos e cores. Enquanto o branco é mais lustroso, o preto é mais fosco, às vezes não tão preto, alguns amarronzados ou ferrugem. Mas ambos são aromáticos, com sabor que lembra o do amendoim, características visíveis especialmente quando os grãos são torrados até começarem a pipocar – o aroma só se desprende com o calor do torrefação, pois vem dos óleos voláteis. Aliás, o grão possui cerca de 50% do seu peso em óleo  -  mais do que a soja e as nozes. Normalmente ele é usado em pequenas quantidades (a não ser em alguns pratos árabes), de modo que a quantidade de óleo não chega a ser problema.  Bem, como não tinha quantidade suficiente para extrair o óleo, extraí o seu melhor, torrando um pouco e jogando sobre a salada de mamão verde também colhido no sítio. 

Para a salada: risquei o mamão para sair um pouco da seiva que amarga e quando o "leite" coagulou, lavei, descasquei e ralei. Temperei com um pouco de sambal (um molho pedaçudo de pimenta asiático, mas pode usar pimenta a gosto), sal, açúcar, limão, folhinhas picadas de três tipos de manjericão - alfavacão, manjericão santo, manjericão anis. É que eu não tinha aqui, só no sítio, mas queria mesmo é ter colocado coentro, o que você pode fazer, em vez dos manjericões mais raros. Misturei e, por cima, espalhei  amendoim torrado e picado e gergelim preto torrado levemente. E nhac! 




7 comentários:

Receitas de Sedução disse...

Fica um prato diferente e lindicimo.
Gostei muito do post. Muito informativo.

Beijinhos e boa semana;

Aurea Sá

Tem que retirar as palavrinhas de aceitação de comentários. Já tentei cinco vezes e nada de entrar. :(

Anônimo disse...

Oi, Neide. Não conhecia a planta, muito bonita. Eu já semeei gergelim. Era um desses pacotes que tinha vencido e joguei sem muita esperança que vingassem. Nasceram, eram muitos e não se desenvolveram bem. Acabei arrancando mesmo ... Fiquei com vontade de provar a salada, parece boa. Abraço, Liliana.

Celina disse...

Nunca tinha visto um pé de gergelim...apesar de consumir bastante,pensava que o gergelim preto fosse o gergelim branco torrado...Me senti uma criança a aprender coisas novas!...rs... Uma dúvida: Na salada, pode ser mamão verde de qualquer variedade? O coentro pode ser substituído por salsinha? Grata pela atenção!

lili disse...

Jamais ia adivinhar. Se visse essa planta da foto ia achar que era mato.Vivendo e aprendendo...

Anônimo disse...

Ola Neide, meu nome e Silas e eu conheci seu blog hoje (06-03-2013)através do Google fazendo pesquisa sobre receita de pão com fermentação natural.
Adorei a história da menina mostrando o poço e pegando a areia com as mãos na sua simplicidade como se fosse algo precioso. Adorei seu blog e a forma que você escreve com certeza da pra juntar tudo e publicar.
Desculpe estar me alongando, mais na minha infancia no Paranã minha sempre fez e garças a Deus ainda continua fazendo pão com esse fermento que e uma delicia.
Um Abraço, Silas Flávio Costa.
Obs. Também adoro fazer pães.

Neide Rigo disse...

Silas, seu comentário fez meu dia mais feliz. Bom saber do pão. Obrigada! Um abraço, n

Anônimo disse...

Neide, com muita frequencia minhas buscas apontam seu blog. É uma delícia, adoro. Já faz um bom tempo que acompanho, está nos favoritos mas sempre esqueço de me inscrever. Estava tomando café com umas bolachas desesperadas com gergelim que faço na frigideira e vim ler sobre a planta. Obrigada pelas informações, um abraço!
Andréa