sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Troca de sementes


Tudo começou quando a Laura me escreveu dizendo que a mãe tinha a maior saudade de comer sequilhos de araruta e diante da dificuldade de encontrar a fécula, me pediu mudas para plantar em seu sitio. Temos amigos em comum, mas não nos conhecíamos. Marcamos de ela vir aqui buscar o pouco que eu tinha plantado no quintal. Veio com o marido, Alex, e com a filhinha Valentina de três meses que os acompanha pra cima e pra baixo. Os dois são agrônomos e moram num sítio dos sonhos em Santo Antônio do Pinhal com mais duas filhas, Serena e Gaia. Eles produzem tudo de forma orgânica e se emprenham para ter o maior número possível de variedades. Eu saí ganhando pois vieram com uma sacola cheia de produtos - milho vermelho, feijões, fubá, framboesas, beterrabas, inhame batatas, tudo da produção local. Eu só tinha a araruta e um pouco de milho crioulo que meu avô plantava desde moço. Mas me lembrei também da minha pequena coleção de feijões, da mãe do vinagre, do levain. Então, depois do bolo com café, foi a maior festa de troca em cima da mesa. É bom saber que de poucas sementes poderemos ter fartura de comida. Inhames e beterrabas já foram cozidos para o pão de hoje. 

Veja o site do sítio Gralha azul:  www.sitiogralhaazul.net  e a palestra da Lsus no TEDxCampos: http://www.youtube.com/watch?v=sMQ_lMTaldY


Ganhei: framboesas, fubá, beterrabas, batatas, milho amarelo e vermelho,
feijão roxinho e espírito-santo, inhame, tudo produzido por eles

Trocando sementes


Framboesas pretas - já tenho planos para elas
Beterrabas e taros cozidos para o pão de hoje 

5 comentários:

alexandre e alana disse...

A pesquisadora Terezinha Dias, também da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, define os guardiões de sementes como “agricultores que se destacam dos demais por serem grandes conservadores da diversidade de cultivos, que são identificados e reconhecidos pela comunidade a qual pertencem”. Segundo ela, eles são pessoas-chave para o repasse de conhecimentos tradicionais relacionados à agricultura.
Parabens a vocês!!

Anônimo disse...

Neide ontem mesmo vi sobre o sito Gralha e pensei em agendar uma visita e hoje olha eles ai, o trabalho que eles fazem e importantissimo pois só assim ,desta forma vamos poder manter nossa tradição com sementes nossa, sem fica na mão de mão santo né mesmo,bjs.(Diulza)

Laura disse...

Oi Neide! Foi um prazer enorme conhecer você, sua casa e suas sementes e mudinhas tão especiais. Obrigadíssima por elas e também pelo fermento e pelos vinagres. Pra nós sentar em volta de uma mesa (o bolo, o pão, o café e as geléias estavam uma delícia) e trocar experiências e sementes de plantas raras é o maior dos deleites.Vamos repetir a dose em breve! Quem sabe aqui no sítio! bjs Laura

maria luisa disse...

Muito bacana isso, estou com inveja!! quem sabe um dia entro nessa, só me falta o sítio!! rssss

falando sério gente, adorei!!

ervasmedicinaisearomaticas.blogspot.com disse...

Olá Neide!
Acompanho o seu blog COME-SE e fiquei vibrante com o "Troca de sementes", achava que só eu é quem se preocupava com a preservação de espécies antigas a muito e não tinha ideia de como começar a movimentar estas trocas.
Tenho sementes de mamão caipira, café caipira é so colher em época de colheita, pepino antigo que vai madurando no pé e fica enorme parecendo abobora de tão amarelo.Tenho certeza na minha região também vou encontrar novidades.Mas fico feliz por ter vocês que também tem o mesmo objetivo.Um grande abraço,Else tegethoff Motta - ervasmedicinaisearomaticas.blospot.com - tegethoffmotta@gmail.com