terça-feira, 11 de setembro de 2012

Meu limão, meu limoeiro



É a maior obviedade dizer que a gente só valoriza uma coisa quando a perde. Pois em Fartura tínhamos um pé de limão cravo (lava-tacho, capeta, caipira, rosa, vinagre, china, creme, galego etc) na porta da cozinha. Tínhamos a fruta para a limonada ou para o tempero da salada durante todo o ano. Em certas épocas tínhamos o limão verde ainda,  mas já caldulento e um tanto ácido, que convivia com outros da safra anterior, super maduros, perfumados, cor de laranja.  Era praticamente esticar a mão e colher. 

Foi um tempo bom aqueles quase vinte anos que meus pais moraram no sítio, onde também construí uma casa. Como eu nunca morei no campo, paulista paulistana, no começo achei um encanto o limoeiro das minhas memórias de férias no sítio dos avós, mas logo me acostumei com ele como se fosse apenas parte do mobiliário paisagístico ou da despensa. Só quando meus pais venderam o sítio e descobri que nunca mais teria aqueles limões ao alcance das mãos, nem para guardar por até dois meses na geladeira,  foi que passei novamente a cobiçar qualquer limoeirinho que visse na beira da estrada, atrás dos muros, abandonado nos pastos. 

Já falei dele aqui: http://come-se.blogspot.com.br/2009/08/que-limao-e-esse-um-video-sobre-o-limao.html


Limoeiro maior: antes

Limoeiro maior: depois 
Limoeiro menor: antes
Limoeiro menor: depois 
Quando compramos a chácara em Piracaia, o fizemos pela vista para a água e colinas, mas a  primeira visão do terreno era só de braquiárias. Aos poucos, com o mato baixo, fomos descobrindo preciosidades como pezinhos de grumixama, araçá, pitanga e, para felicidade geral,  três limoeiros deste tipo. Um deles é o porta-enxerto ou cavalo que cresceu e venceu o cítrico implantado. Nele, outro dia descobri flores e até uns dois limões formados. Outros dois eram ainda muito mirrados e puro carvão, como já contei aqui. Era como se tivessem acendido uma fogueira aos pés deles. E isto me entristecia muito toda vez que olhava para os limoeiros morimbundos, cada dia mais sufocados pelo negrume das folhas.  

Ao contar para o Edilson, do viveiro Ciprest, fiquei sabendo que aquilo era resultado do ataque de cochonilhas sobre as folhas, que formam uma camada como pó de carvão, de nome fumagina. E que era só eliminar os bichos pulverizando algum inseticida natural como água de fumo ou de sabão e tudo voltava ao normal. Mas antes de saber isto eu já tinha resolvido intuitivamente, ao meu modo. Arranquei todas as folhas sujas e dei um banho de bucha e sabão de coco em todos os galhos. Esfreguei sem dó, enxaguei bem e fui embora, louca pra ver o resultado na próxima semana. Foi como mágica. Uma semana depois várias folhas brilhantes cobriam os pequenos limoeiros. E agora estou sempre de olho em busca de um sinal, uma flor. Limões por vir, limoneides a fazer. 

E aqui o vídeo que, não sei porque, é um dos meus de maior audiência: 


20 comentários:

Anônimo disse...

Limoneides :)

Uwe disse...

O limão cravo quase sempre é usado como "cavalo" ou porta enxerto nos limoeiros. Isto por causa dos raízes mais rústicos. As outras variedades são enxertados nesse pé no viveiro.

Se tem um limoeiro cravo em casa, é muito provável por acidente. Ou o enxerto morreu ou o pé foi cortado com a roçadeira no estadio jovem. O sistema radicular é tão rustico que rebrota.
Tanto faz, a caipirinha com limão cravo é imbatível! ;)
Uwe

happynest disse...

Oi Neide...amei seu post!!
Prepare-se muitas limoneides virão.
O clima é bom, o ar puro e a água sem cloro. Logo, logo seu limoeiro vence as primeiras dificuldades e começa a ganhar força. Aí é só esperar as dádivas. O meu limoeirinho esta plantado no quintal de casa, mas cercado de sobrados tem pouco sol, a água de rega é clorada e a poluição é um caso à parte. Deixa suas folhas sujas de fuligem. Teve ainda, um ataque massivo de lagartas e apesar de todas as dificuldades e com atraso enorme ( seis anos) começou a frutificar....Neide do céu, o bichinho não parou mais. Flor e fruta direto. Não preciso dizer que chorei feito uma boba quando ele deu o primeiro limãozinho. Meu limoeirinho urbano. Amo de paixão. O seu, naquela belezura de ar e solo...e com esterquinho de galinha...Jesuis..vai ser um arraso!!!
Beijão
Rosemary

Flávia Amaro disse...

Vou aproveitar a deixa para também demonstrar meu amor a essa espécie de limão.
Presente nos quintais da minha infância,aciona automaticamente lembranças gustativas afetivamente firmadas. Por exemplo na casa dos meus avós havia um pé muito saudável e até no prato de comida, por sobre o arroz e o feijão era consumido.
E como é difícil de encontrar, pois raramente é comercializado, salvo em feiras ou das mãos dos próprios produtores, geralmente praticantes da pequena agricultura familiar. Aqui em Araguari e Uberlândia é geralmente conhecido como "galego" ou "china". Uma delícia verdadeira. E já percebeu como é fácil de espremer? Faço uma jarra na mão tranquilamente, com mais facilidade do que usando algum instrumento elétrico, pois a casaca dura e a polpa mole, mole de ser extraída. Sem falar que existem várias formas de usar o limão galego, como combinações nos sucos,ex: bater com um pouco com capim limão, ou erva cidreira, fica muito bom. Entre outras tantas possibilidades.
Tô sempre passando por aqui. Adoro esse blog! Abraços.

Beth disse...

Também adoro esse limão!
Felizmente encontro sempre na feira onde vou, mas é bem melhor quando a gente pode pegar do pé :)

Anônimo disse...

Neide

Uma cachaça mineirinha, com um pouco de limao cravo espremido na hora é otima para refogar uma linguiça! E tambem pra dar uma bicadinha que ninguem é de ferro... hehehe

Eider

Michel Cantagalo disse...

Olá Neide...
Na nossa ecovila em Piracaia temos muitos pés deste limão... a carga está tão grande este ano que não sabemos o que fazer com os limões...
Fique a vontade para passar lá pegar quantos quiser...

Um abraço...

Michel

mcantagalo@ifsp.edu.br

Maria de Lourdes Ruiz disse...

Também tenho um post em meu blog com o mesmo título, mas o limão é o galego. Agora vou fazer o post 2 com o meu limão cravo que está carregadinho.Aqui temos além desses dois o limão siciliano e o taiti. Frutas iguais problemas semelhantes, e soluções idênticas, eu uso uma solução de sabão em pó e pá pimba.

Bjs

Anônimo disse...

Oi, Neide! Também tenho um limoeirinho enrustido na minha chácara que no ano passado, com nosso zelo (nosso problema são as saúvas), ele frutificou pela primeira vez. Tal tal a Rosemary, também chorei. Infelizmente este ano ele ainda não floriu (talvez a experiência tenha sido demasiada para ele), mas tenho fé que ele se revigore. Poste fotos de seus limoeiros em flor e com frutos nessa paisagem linda, por favor. Abç.
Izabel

João Inácio disse...

Olá Neide,
Tu já sabes que aqui no RS este limão, que é um tipo de inço bom, é chamado de bergamota. A cochonilha ataca facilmente o limão bergamota, mas o tratamento é bem fácil. O que tu fizeste com teu limoeiro está certo, pode podar à vontade que ele rebrota e dá até mais frutos (ao contrário de outros cítricos que não gostam muito de serem podados).

Lavar a árvore com água e sabão de coco tb está certíssimo. Mais uma dica: quinze dias após a poda e o "banho" de coco, dê outro banho no limoeiro, com uma parte de leite de saquinho ou garrafa (de caixinha não rola) para cinco de água; algumas pessoas usam até uma parte de leite para dez de água).

Às vezes a infestação de cochonilha pode ser severa a ponto de tu precisares podar galhos inteiros. Nesse caso, coloque canela em pó nos cortes para cicatrizar. É limão para a vida inteira, o bergamota é praticamente indestrutível rsrsrs.

Apesar da origem asiática, ele é "quase" nativo do Brasil. Existe um termo em botânica (que eu não lembro agora) para plantas que foram exóticas, se adaptam bem a um outro local e não causam danos - muito pelo contrário - à fauna e flora a ponto de serem quase nativas. Quando as de fora competem com outras plantas locais são chamadas de invasoras (a Uva do Japão, árvore tão bonita e de frutinhos deliciosos, infelizmente é danosa, principalmente para a flora do sul do Brasil, se espalha como inço e mata outras árvores de folhas caducas, nativas. Apesar disso, não teria coragem de cortar um pé de Uva do Japão, bem isso é só uma divagação...)

A minha receita preferida do limão bergamota, além da clássica limonada, é um molho engrossado com mel para peito de frango. Para comer com arroz branco até embuchar...

Neide Rigo disse...

Uwe, deve ser porta-enxerto, sim. Mas recentemente também comprei um pezinho que já nasceu pra ser ele mesmo.

Rosemary, não vejo a hora de o meu estar assim.

Flavia, na casa dos meus avós, ele também estava presente em todos os momentos - na carne de porco fica uma delícia. Felizmente tenho o encontrado sempre na feira do meu bairro. Obrigada!

Beth, não tem nem comparação, né?

Eider, hum... deu fome!

Michel, eu quero! E quero também conhecer a Ecovila.

João Inácio, obrigadíssima pela dica e pelas preciosas informações. Posso usar kefir ou tem que ser leite não fermentado?

Um abraço,
N








lili disse...

Pois é, que raça ingrata, nós somos. O meu limoeiro morreu por falta de cuidados adequados e agora choro todos os dias a sua ausência.fficeyo some

Neide Rigo disse...

Lili,
adorei o "fficeyo some". Outro dia, estava quase esmurrando o computador porque não conseguia acertar de jeito nenhum as letras embaralhadas. Era exatamente isto aí. Digitei tantas vezes e com tantas variações, que decorei, reconheci na hora. Infelizmente não dá pra ficar sem esta chatice. Bem que eu tentei.
Um abraço, N

João Inácio disse...

Limo Neide,

Sei que tem que ser leite "gordo", quanto maior o teor de gordura, melhor, por isso o leite em caixinha não serve, e deve se usar de preferência os de garrafa (ainda vende aí em São Paulo?)

Quando morávamos em casa, com dois limoeiros, usávamos leite de garrafa plástica ou saquinho, sempre dava certo. Por esse parâmetro, presumo que kefir não sirva... Outro probleminha dos limoeiros, não só os nossos, era que no verão, especialmente os mais quentes e secos, as lagartas taturanas (perigosas!) infestavam os pés. Como Porto Alegre é bem mais quente e seco do que São Paulo no verão, não creio que tu tenhas estes problemas. Mas se tiveres:
Primeiro: se as ditas se grudarem no tronco, borrife água com bastante vinagre, até elas se soltarem. NUNCA toque nelas. Com uma pá, leve-as para bem longe (onde não haja animais nem crianças). Sei que não é ecologicamente correto, mas meu pai colocava as ditas na churrasqueira...

Segundo: se forem muitas, é melhor chamar o setor de zoonoses da prefeitura. Ignoro porque elas gostam do tronco dos limoeiros. Há uns quinze anos atrás, elas infestaram várias árvores no RS, causando inclusive mortes por choque anafilático. Mas como eu disse, São Paulo é bem mais ameno no verão do que POA, então talvez tu jamais tenhas estes problemas.

Grande abraço

Neide Rigo disse...

João,
o kefir que eu faço é com leite integral de garrafa. Farei com o leite. Legal a dica da canela. Não sabia.
Quanto às lagartas, vou ficar atenta. Obrigada!
Um abraço,
N

nana tucci disse...

Sempre que vamos à chácara em Ibiúna eu penso "vou passar um tempo na chácara, catar limão rosa", e como me alegra!

Gisavasfi disse...

Oi Neide.
Como sempre, foi um prazer ler este post.
Sempre tenho limões em casa, de preferencia, de todos os tipos.
E gosto muito de fazer mudas. infelismevte não tenho muita terra para plantar, moro em um terreno padrão, de mais ou menos 11 x 30.
Mas já cheguei a fazer mais de 130 mudas de árvores diversas, inclusive do limão cravo, do galego e até de jaca.
Por motivos obvios, tive que doar a maior parte destas mudas, mas tenho um pé de limão cravo na frente da minha varanda, que plantei a partir de sementes de um fruto que ganhei e já colhi meus primeiros limõezinhos.
Não tenho certeza de quanto tempo levou entre plantar as sementes e colher os primeiros frutos, mas acho que foram cerca de 5 anos.
O limão cravo a que me refiro, é aquele que tem a polpa bem laranja e a casca tem umas "rugosidades", não sei bem o nome que se dá àquele aspecto enrugado.
Já tenho mais 3 ou 4 mudas feitas a partir das sementes do fruto desta primeira planta, que está com uns 4 m de altura.
Bjs.

Michel Cantagalo disse...

Legal Neide.. vou te passar por e-mail meu contato... quando você for pra Piracaia, me avisa e te levo na ecovila.. um abraço!

Michel

Alessandro disse...

Em muito Estados, chamam o Limão Cravo de Limão Galego. E como será conhecido o que em SP chamamos de Limão Galego (http://www.seag.es.gov.br/wp-content/uploads/2011/01/galego-180111.jpg)?

Anônimo disse...

Adorei o video que limão é esse.
Aqui no Espirito Santo conhecemos como limão galego o que em outros lugares chamam de limão cravo,e o que chamam de galego em alguns lugares ,chamamos de limão branco ou limão comum,e é principalmente com o branco ,que preparamos nossa caipirinha,mas tendo o galego,também fazemos gosto.Aqui em Vitória,usamos muito o galego na nossa famosa moqueca capixaba e também no preparo da galinha ao molho pardo.O limão galego faz parte da nossa cozinha há muito tempo.Geralmente em toda rocinha do interior do nosso estado ,tem sempre uns pés de limão galego plantado.Quando criança em goiabeiras,me lembro que em quase todos os quintais ,tinha um pé de limão galego,e tomava limonada sempre fresquinha do limão que colhia no quintal da minha vó.Parabéns por mostrar a diversidade de nomes do nosso limão!Madalena Gomes Dos Santos De Jesus.madamag@hotmail.com
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