segunda-feira, 26 de março de 2012

Abóbora grelhada com ervas

Ando meio apaixonada por abóboras, você já notou. E se ainda está por aí, sem se aborrecer, saiba que a saga está longe de acabar, pois os poucos pés de abóboras de Piracaia ainda estão carregados de flor. Aliás, o bom desta planta é isto: você come a cambuquira (brotos), as flores, os frutos com casca em todos os estágios e ainda as sementes. Por enquanto, estou dando folga às flores e brotos. Mas quando estiver realmente enjoada dos frutos, atacarei seus precursores sem dó nem piedade. 


Finalmente já estamos podendo dormir na casa de Piracaia. Ainda sem reforma, casa quente e sem varanda, pelo menos abrigou o caseiro e sua família, que agora já têm casa nova, e agora nos acolhe.  E tem fogão de lenha, água e luz. Já levamos colchões, tapetes, mesas, cadeiras e, principalmente, utensílios de cozinha. 


Foto: Darly Aguiar
Neblina: espetáculo só para aqueles que pulam cedo da cama

Foram dois dias de trabalhos exaustivos, aproveitando a companhia da irmã e cunhado, sobrinha e namorado da sobrinha, o polonês Marcin. Mas tivemos tempo para fazer churrasco ao ar livre,  nadar na represa, ver o entardecer de céu avermelhado e o amanhecer neblinado.  Fora uns espetinhos de carne e queijo de coalho, outras comidas foram totalmente adaptadas com o que pudemos colher na horta improvisada. Salada de almeirão roxo, folhas e flores de capuchinha e abóbora com temperos: pimenta dedo-de-moça verde, dois tomatinhos cerejas bem maduros, folhas de salvia, alecrim, tomilho e manjericão.  


Marcin adorou tomar conta da churrasqueira e cuidou das fatias de abóbora por quarenta minutos em calor mais fraco, até que ficassem perfeitas, no ponto que julgou o certo segundo seus conhecimentos gastronômicos acumulados neste vinte e poucos anos de vida. E estavam - macias por dentro, douradas por fora, com aroma de ervas defumadas. 







Abóboras grelhadas com ervas 


Primeiro fui à horta (que não é propriamente uma horta, mas um amontoado de plantas comestíveis) e escolhi o que havia de ervas: uns galhinhos de manjericão, salvia, alecrim e tomilho limão. Achei também dois tomatinhos e pimenta dedo-de-moça verde - colhi uma.  Coloquei tudo no pilão com dois dentes de alho e 2 colheres (chá) de sal. Soquei bem e juntei azeite em fio até formar uma pasta. Tirei mais ou menos um terço de uma abóbora com cerca de 2 quilos, num estágio não totalmente madura. Raspei as sementes da polpa, lavei bem, mantive a pele e cortei em fatias de 1 centímetro aproximadamente. Passei tudo no tempero, espalhando uniformemente e coloquei numa grelha. De resto, foi trabalho do Marcin, que grelhou sobre brasa pouca, de modo a assar devagar, deixando impregnar um pouco o sabor da fumaça. Foi virando as fatias de cinco em cinco minutos, segundo ele em sua língua francopolacortuguês, para não brullar, para dourar para igual.  Regamos mais azeite na hora de servir. E estou certa que você poderá fazer o mesmo no forno se não tiver ou não quiser usar churrasqueira. 


Com espetinhos e macarronada com molho misto, Nhac! 


No molho do macarrão: devo admitir que tinha abóbora também no molho do macarrão. Como eu só tinha uma lata de tomate pelado, bati no liquidificador com um pouco de água, sal, duas cebolas pequenas e um bom pedaço de abóbora crua, com casca, para fazer render o molho. Quando estava tudo triturado, joguei numa panela onde refoguei alho em azeite. Deixei cozinhar por meia hora em fogo baixo e, no final, juntei bastante folhas de manjericão. Se a abóbora estivesse totalmente madura e seu eu tivesse ali um pouco de urucum para intensificar a cor, ninguém desconfiaria. Mas, ainda assim, não descaracterizou o molho de tomate e todo mundo aprovou. 

12 comentários:

Cláudia Campos disse...

Fiquei com água na boca.....Maravilha!!!!!

Beijão!

Cláudia Campos

Anônimo disse...

Nossa! O sol é sempre um espetáculo. Que bom que vc tem essa vista. Abç
Izabel

Anônimo disse...

Oi Neide,

Faz um tempão que não passeava por aqui.... Então gostaria de desejar muita colheita boa no sítio em Piracaia... Queria compartilhar que tbém temos um lugar em que possamos passear sossegados, estamos construindo a casa, mas a "horta" tá lá, levamos muito composto daqui de São Paulo pra lá e o que mais nasce é abóbora, melão e mamão.... Tem taaaaanta abóbora que acho que vamos todos aqui em casa ficar laranjinhas. Vou aproveitar algumas de suas receitas.
Muito obrigada e um beijo grande Mitchiru

Maria das Graças disse...

Neide, abóboras cortadas e temperadas assim como voce fez faço no forno e fica perfeiro. Ponho tudo em uma assadeira e cubro com papel alumínio. 30 minutos em forno médio e o resultado é uma abóra macia e dourada, com um toque açucarado. Delicioso.

Anônimo disse...

Só falta sorvete de abóbora!

Rita de Cássia Santos disse...

Pena você não gostar de fazer doces! As abóboras ficariam lindas (e deliciosas) numa calda de canela, anis e cravo!
beijo

Neide Rigo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
angela disse...

Bacana essa coisa de caseiro com casa nova. Ah! aqui foi assim também! Moravam num muquifo indesculpável. Agora, só vendo o capricho!
o que é que eu ia dizer?..hum.. não era sobre os espetinhos .. ah! lembrei. É que resolvi seguir o a sugestão daquele médico e estou sem nada de leite desde o dia 19. Vamos ver! o café com leite que me amornava foi substituído por leite de soja.. vamos ver.

Anônimo disse...

Oi Neide!

Tem um tempão que não escrevo nada, sempre que posso dou uma olhada no seu blog e recomendo pois acho o máximo!
Não vou elogiar suas peripécias culinárias pois todos já fizeram e eu assino embaixo, entrei aqui para falar de uma coisa que ninguém falou, a beleza das fotos e principalmente da foto com a orquídea bambú, coisa linda!!!(duas coisas que eu adoro culinária e plantas)!!!
parabéns, e continue nos enriquecendo com seus ensinamentos!
Zu Freitas

Neide Rigo disse...

Mitchiru,
nós ainda não colocamos nada na terra. Estamos levando todo o nosso lixo orgânico para lá semanalmente para fazer composto, mas ainda não jogamos nada à terra. Fico imaginando quando a terra estiver bem adubada, como será. Terei que mudar o nome do come-se para abobore-se.

Maria das Graças, obrigada pela dica.

Anônimo não perde por esperar.

Rita, eu não sou amante de doces, mas gosto sim. E até dei uma compota com calda de anis aqui: http://come-se.blogspot.com.br/2008/08/abboras-assada-e-compota.html

Angela, eu não conseguiria conviver com tanta diferença. Prefiro eu ficar com a casa velha que aos poucos vamos reformando, afinal é só uma segunda casa. Eles não, moram lá. Quanto ao leite de soja, bem, não é a mesma coisa, né? Eu não sou adepta de soja!

Zu, também amo flores. E esta orquídea é linda mesmo, né?

Um abraço, N





Um abraço, N

Anônimo disse...

Tente moqueca de abóbora. Fica bom!

Papilles Mentales by C@t disse...

Que delícia! Outro dia ganhei umas mini-abóboras que ficaram dias na geladeira até que depois de um churrasco no quintal resolvi embrulhar as ditas em papel alumínio e joguei no meio das brasas. Depois raspei a polpa da casca chamuscada e temperei com shoyu, vinagre balsâmico, sal e azeite. Ficou bom, mas no próximo churrasco vou fazer essa sua receita muito inspiradora.
Beijos!