sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Leon Cakoff fez diferença

Não sei para o resto do mundo, mas para mim a morte do Leon Cakoff causou mais comoção que aquela outra. Senti falta dele nas aberturas dos últimos filmes da Mostra na TV Cultura, quando trazia um convidado para conversar com ele e a mulher Renata. Nunca os conheci pessoalmente, mas era como se assim fosse. A primeira vez que vi um filme da Mostra Internacional de Cinema foi no Mis. Entrei com o filme já começado, em sala errada. Era um Almodovar maluco, de quem nunca tinha ouvido falar. Foi surreal. Naquela época não havia legendagem, mas mesmo sem entender nada, fiquei até o fim. Isto foi, se não me engano, no começo dos anos 80. De lá para cá, espero ansiosa por outubro. E o gostoso sempre foi isto, o inesperado.  Há uns anos, acho que na 26ª Mostra, Nina Horta e eu combinamos de ir ver um filme de comida chamado Dumpling (aqueles "raviolis" chineses cozidos no vapor) e fomos ficando estarrecidas com o desenrolar macabro do enredo. Depois demos muita risada da nossa escolha. Foi lançado por aqui, em dvd, com o nome de "Escravas da Vaidade", muito mais adequado para não atrair desavisados. Mesmo que eu não possa ver muita coisa - no ano passado não vi nada -, acompanho os acontecimentos pelo Jornal da Mostra. Há  uns três anos foi minha melhor Mostra. Vários filmes importantes com grandes filas nos circuitos tradicionais foram exibidos também no Memorial da América Latina, de graça, salonas. Eu dava um gás no trabalho pela manhã, pegava o trem na minha rua e em duas estações estava lá - via sessão das 14, das 16 e das 18 (mais ou menos assim).  Mas meu sonho de consumo sempre foi comprar o bilhete integral - agora a 390,00. Quando eu tinha tempo não tinha dinheiro. Hoje não acho um exagero e poderia comprar, mas foi-se o tempo de ter tempo. Acho que para São Paulo a Mostra é um grande acontecimento que não existiria sem o empenho deste homem. Quem gosta de cinema reconhece. A verdade é que, para mim, a Mostra me faria mais falta que meu I-phone.

8 comentários:

Anônimo disse...

Neide,

Tbém sentí uma tristeza profunda...E este post me fez sentir uma grande afinidade porque tbém tenho este sonho de consumo: Comprar o pacote inteiro da Mostra, porém me falta o tempo, infelizmente.

Um beijo Miti

Lais Castro disse...

Que pena! Para mim, o nome León Cakoff é sinônimo de cinema, do Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Que descanse em paz!
P.S. Tomei a liberdade de blogar esta postagem. Obrigada.

winebroker disse...

Prezada Neide, eu também senti a ausência do Leon. Gosto muito de cinema. Este ano tive a oportunidade de conhecer a Alain Bergala, que também é amigo do Abbas Kiarostami, como foi o Leon. E contou a mesma anecdota sobre o filme "Onde fica a casa de meu amigo". Tomara que a Mostra continue. Abraço, Rubén

Strawberry Pepper disse...

http://strawberrypepper.blogspot.com/

Perdemos uma A'S do cinema, realmente!
Muito legal da sua parte agregar cultura, arte e gastronomia! Também amo cinema! E iria em muito filmes da mostra.

Agora tomo a liberdade de te indicar o meu blog

http://strawberrypepper.blogspot.com/

Receitas Lights, segredos e verdades sobre alimentação e nutrição.
Amor, mas muito amor a gastronimia!
Aparece por lá

Kátia disse...

Querida, esse é o cara que com apenas 300 dólares no bolso e uma passagem foi pra Cannes no comecinho da década de 70 e, muito antes de o Brasil estar na moda, conseguiu atrair a atenção desses importantes cineastas pra cá. Palmas pra ele. beijo

Isis disse...

Nossa, sempre quando dá assisto à Mostra na TV cultura... sim, para mim, que nem sabia muito de Leon assim, tbm me causou mais susto e tristeza que o cara da maçã mordida... estava há anos-luz de distância (e agora está mesmo...)

Anônimo disse...

Olá Neide,

tem um ditado que diz, que não podemos ter 3 coisas na vida ao mesmo tempo que são:
saúde, dinheiro e tempo.
Pena não podermos desfrutar tudo isso junto, mas acho que tudo tem seu tempo.
Abraços
Raquel

*Gioconda * disse...

E por falar em receitas de flores de abóboras ou em como cultivar o pé de abóbora menina que nasceu-sem-querer no meu quintal, que tal falar do Leon Cakoff, não é?
E no exato momento em que estou assistindo à Mostra pela TV Cultura!!!!
Ainda bem que a Renata voltou, pois desde que o León se foi, a Mostra não foi a mesma, acho que ele faz parte dos filmes.
Amei seu post, Neide.
Abraços
Gioconda