terça-feira, 18 de outubro de 2011

Cipó d´alho no pão com queijo marajoara

Ao fundo, o pé de cipó d´alho


A Fazenda São Jerônimo, onde fiquei em Soure, no Marajó, pertence aos amigos Jerônima e Brito, pais de uma grande amiga de longos anos. É um pequeno paraíso imperdível para quem visita aquele lado do arquipélago e todas as agências de turismo oferecem o passeio. Já falei deste lugar várias vezes aqui no Come-se. É só procurar no campo de busca aí do lado. E veja também o link no fim deste texto. 


No segundo dia em que estava lá chegou um grupo grande de agentes de turismo que fizeram o passeio na faixa (o que tem de jornalistas, fotógrafos, gastrônomos, chefes, agentes e carteirantes em geral que pedem passeios grátis na fazenda não é pouca coisa e dá um pouco de vergonha alheia - sequer pagam os guias locais, deixando isto por conta do Seu Brito, esquecendo que ele vive disto).  


Normalmente,  depois do passeio que inclui andar de barco pelo igarapé, se banhar na praia deserta, caminhar por passarelas sobre o mangue, a morada dos turus, e voltar por trilhas no lombo de búfalos,  é oferecido um suco de frutas locais, como cortesia - para pagantes e não pagantes. Porém, naquele dia Seu Brito veio à cozinha, que não tinha nada preparado - só se serve refeição quando encomendada -, dizendo que o povo estava com fome, perguntando se não tinha nada de comer. Não tinha, mas, intrometida,  prometi a ele que daria um jeito. Dona Jerônima me deu carta branca, ocupada que estava com outras tarefas. 


Olhei ao redor e logo veio a ideia. Sobras de baguetes do café da manhã, um pedaço meio ressecado de queijo marajoara (requeijão feito com leite de búfala) e, do lado de fora da cozinha, um lindo pé de cipó d´alho que normalmente Jerônima usa em caldos, moquecas, molhos, mas a folha inteira - que depois é desprezada. A mudinha que trouxe de lá uma vez se deu muito bem em Fartura, que ficou pra trás.  Agora trouxe outra muda que vai pra Piracaia.  


Bem, voltando ao de comer: fatiei os pães, piquei o queijo finamente - pra render -, colhi umas folhas do cipó d´alho, lavei bem, sequei, coloquei umas sobre as outras, enrolei como para cortar couve e fatiei o mais fino que pude, restando uns fiozinhos sabor alho. Coloquei tudo numa tigela, temperei com azeite e sal e coloquei um bocadinho em cada rodela de pão. Levei ao forno do fogão de lenha que já estava quente e depois de uns cinco minutos o pão já estava dourado e o queijo, derretido. Forrei uma tábua com uma folha de bananeira que lavei e sequei, coloquei por cima as torradinhas e levei para o povo, que gostou, elogiou e nhac com sucos e cervejas.   


Para os mais curiosos, afinal só 10% clicam links, recomendo estes: 
Sobre a Fazenda São Jerônimo  
Sobre as folhas de cipó d´alho: já falei delas aqui e, quem quiser comprar, há mudas no Viveiro Ciprest

9 comentários:

saboracasa disse...

Adorava visitar a Fazenda :(, todos os sítio por onde anda me encantam! Simplesmente lindos.
Que desenrascada! As bruschetas ficaram super D+ que saborosas ...
Tudo de bom
Paula

Kátia disse...

Já fiquei com água na boca de novo. Neide e suas alquimias...
Só deu vergonha ninguém pagar nada para os guias ou para o Seu Brito. Boa educação não está sendo o forte dessa equipe de jornalistas, chefs e etc.
bjss

Gilda disse...

Quem me dera, uma intrometida destas dando sopa por aqui....você é especialisa em fazer o nada virar alguma coisa memorável.

Clélia disse...

Que curioso Neide eu nunca tinha ouvido falar de cipó d'alho, e as torradas tem um aspécto maravilhoso, deu até vontade.
Forte abraço...

Clélia Regiane

Priscila Silva disse...

Gostei da criatividade. Se saiu bem no aperto, e eu fiquei na vontade de uma torradinha dessa pra completar meu lanche da tarde...

angela disse...

Neide, eu preciso me tratar. Um bom psiquiatra,mas tem que ser online. Eu fico agoniada quando vejo a produção se perder! Aí, vejo você com tanta tranquilidade plantando, colhendo.. como é que se fica tranquila vendo laranjas maduras caindo, forrando o chão sem ninguém comer? e alfaces, rabanetes... Pois, praticamente, só eu como frutas e legumes, e não dou conta. Já fiquei de olho no cipó de alho, rá rá!

angela disse...

Ah! manda o Brito colocar um cartaz avisando sobre o pagamento! Gente sem noção ou esperteza é o que mais tem, infelizmente.

Neide Rigo disse...

Angela, eu posso imaginar sua agonia. Lá no sítio era a mesma coisa. A gente dizia: vá lá colher que está perdendo. A pessoa não ia. Mas se a gente levava as frutas colhidas, todo mundo queria. Assim é fácil. O triste é pensar que tanta gente passa fome. Aqui em casa é tudo de pouquinho, mas sei que em Piracaia daqui a um tempo também vou ficar como você.

Quanto ao Brito, ele tem tabela de preço colada no salão, mas adianta? As pessoas pedem na cara dura com desculpas do tipo: "depois eu divulgo, viu?". Todo mundo se sente o último formador de opinião do planeta.

beijo, N
(eu quero laranjas!!! )

angela disse...

conheço muito bem esta região, sei bem o que vc esta relatando, mas não conheço o cipó de alho, devo ter perdido esta. quanto frutas em safra, faço o que posso para guardar polpas para o decorrer do ano, aqui quaso tudo vira geleia, dou sempre um jeito para não perder nada. bjs