segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Come-se em Piracaia


Chegamos à pousada reservada em Piracaia para lá das duas da tarde. É que antes disso nos distraímos, fomos visitar outra pousada no caminho e nem vimos o tempo passar. O lugar reservado era lindo e o jovem casal de caseiros, uma graça, mas não acho que a pousada em si mereça uma nota.  Já com o estômago nas costas e longe da cidade, fomos obrigados a comer o que tinha: lasanha congelada sadia esquentada no microondas. No jantar, poderíamos escolher espaguete à bolonhesa ou estrogonofe. Para beber, no quarto havia uma bandeja com espumante Salton com o preço vinte reais marcado a caneta grossa no próprio vidro e duas taças de plástico descartável. Marcos e eu rimos muito de imaginar ali um jantar romântico. O cardápio é este e pronto, não importa se você vai ficar lá um ou três dias. Para compensar, havíamos nos encantado com a outra pousada que visitamos e por sorte reservamos o almoço do domingo.

Não era ainda meio dia de ontem e já estávamos na Pousada Figueira Grande. Com a intimidade que a visita  anterior nos deu, fomos avisar a Helenice de nossa chegada. Ela é a dona e estava fazendo nossa comida, já que a cozinheira estava em seu dia de descanso  (a pousada estava vazia, como acontece com quase todas à beira da represa em tempo de frio). Fiquei bastante animada quando vi o fogão de lenha em plena atividade. Mas fiquei mesmo encantada quando bati os olhos na bancada de pedra com as  hortaliças limpas e arranjadas harmoniosamente. Todas orgânicas, colhidas da horta ao lado. Serralha, almeirão roxo, capuchinha, couve, rúcula, cebolinha,  tomate e ervas aromáticas.


As favas brancas portuguesas, que Helenice ganhou de uma amiga,  tinham acabado de ficar prontas - estavam macias e salpicadas de tempero,  e o perfume das ervas contagiava a cozinha, misturando-se ao defumado da lenha.  Deixei algumas sementes de orelha-de-padre ou feijão mangalô para ela plantar junto das favas.

Pedi uma caipirinha de limão rosa e Helenice estendeu o braço para colher os frutos maduros que estavam logo ali na saída do salão. Marcos ajudou a colher os mais altos e voltou com as mãos perfumadas. A cachaça usada é de um produtor local, Lafayete, considerada a melhor da região.

Enquanto ela  terminava de preparar nosso almoço, passeamos pela pousada e subimos aos chalés de onde se tem uma vista admirável para a represa de águas verdes e límpidas (veja o site).  Visitamos ainda o pomar, a piscina e a horta. Ananda se esbaldou com o arroz, feijão, carne de porco assada e creme de espinafre. Tudo fresquinho, bem temperado e feito de um jeito despretensioso, mas com esmero.

Helenice está bem longe de ser uma mulher do campo, porém está ali há 30 anos, adora o que faz e tem prática em toda a lida rural. Formada em letras pela PUC e professora de ioga, bota a mão da massa, dá aulas e participa ativamente das ações comunitárias que visam a melhorar as condições humanas e ecológicas na região. Saímos de lá com a vontade de voltar para passar alguns dias descansando.

O preço da diária para casal (R$ 280,00) com pensão completa é mais barato que um jantar para dois em vários restaurantes de São Paulo, com a vantagem de que a espera é toda uma área com mata atlântica, frutas, verduras e água, muita água.  Você pode também  fazer o passeio de um dia na cidade (a localização exata da pousada é em Nazaré Paulista, mas é mais perto da vizinha Piracaia) só para ver montanhas e represa, visitar o Alambique do Lafayete e almoçar no Figueira Grande. Vai gastar pouco e repor energias, afinal Piracaia é tão pertinho de São Paulo. Só de olhar alguns minutos  para aquela imensidão de horizonte e água cristalina já se reconquista aquela leveza que a semana estressante nos roubou.





 




Pousada Figueira Grande
www.pousadafigueiragrande.com.br
Tel. (11) 4597-6617 . (11) 4597-1665 . (11) 9618-0854 (mesmo que você esteja em São Paulo, precisa do código 11)

7 comentários:

angela disse...

Acabei de almoçar o meu excelente primevo ravioli feito por mim, mesmo assim, salivei com essa carne de porco. Céus! há quanto tempo não como isso!!!

Cantagalo, M. disse...

Olá Neide...
Faço parte de Ecovila Clareando em Piracaia... legal saber que passou pela cidade... Espero que um dia você possa visitar nossa comunidade...

Um abraço!

Dricka disse...

Delicia de pousada e eu anda tão precisada de um descansozinho!!!
Bjs

Margot Carone disse...

Oh que delicia esse fogao a lenha, Neide! E essa caipirinha de limao rosa tbem me deixou na vontade. Acabei de chegar do Brasil...sniff, sniff... Em Vitoria fui a uma exposicao agropecuaria aonde comi uma das comidas mais deliciosas preparada pelas senhoras de um vilarejo de Minas. Ai, esse noso Brasil...Pena nao ter tido tempo de ir a Sampa te fazer uma visita. Bjs

Flavia Monteiro disse...

Oi Neide!!
Cheguei em São Paulo na quinta, cheia de planos, um deles era visitar o Mercado da Lapa,(devido a tua propaganda), mas o corre-corre foi grande e não deu.
E no Sábado, também fui para Piracaia, passar o fim de semana com meu irmão, olha a coincidência.
Abraços
Flávia Monteiro

Anônimo disse...

fragoso, neide parabéns pela nova aquisiçÃo, ''piracaia ''. muito sucesso a todos ficamos na espera de novidades , documente tudo tá. bjos

maria luisa disse...

Menina Neide! Adoro te ler! Não conheço essa região e muito menos Piracaia. Mas basta ler pra ficar com água na boca e desenhar na imaginação a beleza desse lugar, que aos poucos vai nos traduzindo por tuas linhas. Essa comidinha da pousada preparada com dedicação me deixou com apetite e tentação de ainda querer um dia passar por este lugar! Ah, e vou querer a caipirinha pra começar!
bj