terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nabo selvagem


Você pode até achar que eu roubei este nabo daquela horta que encontrei na calçada do meu caminho. Mas não. Já há algum tempo tinha desconfiado daquela hortaliça com folhas de rabanete, cheiro de mostarda e flores como as de brócolis, que crescia viçosa numa calçada entre capins altos e tiriricas em frente a uma casa abandonada.  Ontem, reparando melhor  a terra ao redor, vi que uma bola redonda e branca buscava espaço como quem quer vir à luz. Era um nabo redondo! O chão coberto, abandonado e úmido, era fértil e fofo e foi só puxar a verdura pelas folhas.

Assim como aquele pezinho de alface solitário que já mostrei aqui, nabos na calçada não são obras da mesma espontaneidade com que se espalham ervas indomáveis como o mentruz, os dente-de-leões, as serralhas e outros matinhos. Simplesmente porque não há mais por aí nabos selvagens que crescem e florescem ao tempo de seu próprio ciclo. Nabos, brócolis e alfaces são hortaliças cultivadas que só escapam ao controle do homem quando uma horta é abandonada à própria sorte. Aí sim, florescem, frutificam e as sementes são carregadas pelo vento ou pelos pássaros. E provavelmente foi o que aconteceu. Talvez, quem sabe, havia ali no quintal dos fundos da casa fantasma uma horta esquecida, cujo descendente foi parar hoje no meu prato.

Salada da raiz, arroz das folhas. Com frango e grão de bico. Nhac!
As folhas, depois de bem lavadas e higienizadas, foram cozidas com o arroz. A raiz ardida e crocante foi picada em cubinhos e virou salada com pepino orgânico comprado, cebola roxa do supermercado, limão-rosa do Seu João da rua de baixo, e cheiro-verde, pimenta e tomatinho do meu quintal. Com grãos de mostarda tostados. Comer assim, engraçado, sabe à alegria do cheiro de terra molhada com a primeira chuva da primavera.

Esta foto foi há algum tempo, quando desconfiei da sua presença

Aqui, seus primos na feira de orgânicos

7 comentários:

Isis disse...

Eu os conheci (os nabos selvagens) na Feira de Orgânicos do Parque da Água Branca =D!
Muito lindos!
Adorei o post!

Paula disse...

E o restante da refeição, o que era? Parece apetitoso... hehehe

Comentaste aqui, há algum tempo, que ensinarias sobre a correta higienização das tábuas de carne, de madeira mesmo e não as de plástico.
Eu acabo usando as de vidro, pois me parecem as mais "limpinhas", mas reconheço que não são nada confortáveis para o corte.

Será que poderias voltar ao assunto?
Um abraço,
Paula

Neide Rigo disse...

Isis, sempre que compro no Parque da Água Branca eu também uso as folhas.

Paula, o restante é o que disse aí em cima - arroz com as folhas do próprio nabo e frango com grão de bico.

Quanto às tábuas, eu não esqueci não. Tento falar disso na próxima semana, tá bom?

Um abraço, N

Akemi disse...

Minha mãe sempre fala com saudades de uns nabos redondos que comia no Japão! Se não me engano, acho que ela disse que eram meio adocicados. Esse era adocicado ou era só redondo?

Neide Rigo disse...

Akemi,
este tinha um adocicado lá no fundo. Mas era mais picante que doce. bj,n

Davi Moura disse...

Adoro essa nova onda de comidas naturais! Estou me adaptando a elas. Hoje já consigo comer bem mais vegetais, mas ainda menos do que deveria. Adooorei o post!

angela disse...

Neide, se você existisse no tempo dos contos de fada a Rapunzel não teria sofrido tanto!!!