quarta-feira, 6 de abril de 2011

Prato do dia: angu com milho roxo e serralhinha com pernil

Hoje, um presente: os matos amanheceram orvalhados e eu não resisti a estas folhas novinhas e tenras da Emilia sonchifolia, vulgo pincel-de-estudante ou serralhinha. Já falei dela aqui no Come-se.

Ontem, na oficina de nixtamalização e tortilhas na casa da Lourdes, ganhei do amigo Fernando umas espigas de milho roxo que colheu do seu quintal. Também já falei deste milho aqui (receita de pão,vermelho com especiarias, pipocas peruanas).
Na semana passada recebi fubá de canjica da leitora Kris (já falei dele aqui inúmeras vezes - é só digitar aí em cima na caixa de busca "fubá de canjica" - ainda assim alguém há de não ler isto, me perguntar e tudo bem).
Do ano passado ainda tinha congelados uns pedaços de paleta assada, a mesma desta receita.
E assim foi só misturar tudo isto para chegar a um almoço bastante confortante.
Cortei uma espiga de milho fresco, incluindo não só os grãos, que são brancos por dentro, mas também o sabugo, roxo por inteiro.

Cobri os grãos com água e deixei cozinhar por cerca de meia hora. Pinguei gotas de limão para a água ficar mais avermelhada.

Bati os grãos com a água no liquidificador. Coei, juntei mais água, bati de novo, coei. Completei a água até que chegasse em 5 xícaras. Diluí neste líquido 1 xícara de fubá de canjica e levei ao fogo, mexendo sempre. Quando engrossou, abaixei o fogo, tampei e deixei cozinhar por meia hora. No começo fica muito denso, mas o tempo de cocção mais a adição de suco de limão (que serve também para realçar o tom vermelho - acidez+antocianina resulta numa cor mais viva) deixam a massa mais fluida. No final, se quiser, junte mais suco de limão, 1 colherada de manteiga e sal a gosto. Sirva quente.
O fubá de canjica forma um angu muito liso, como um mingau - veja nestas fotos, servido com pato caipira e grão de bico. Se não tiver fubá de canjica, faça polenta com fubá comum ou sêmola, do mesmo jeito.
Coloquei no prato o angu quente (se resfria um pouco, solidifica como mingau de maisena), a serralha refogada, a carne de porco requentada, uns grãos do milho que separei e dourei no azeite e Nhac!

13 comentários:

Anônimo disse...

Este milho é maravilhoso! Ainda bem que você disse onde tem. Estou fazendo uma lista enorme para quando eu estiver em São Paulo um domingo e esta feira boliviana que me aguarde, não vai sobrar muita coisa para os outros não. Eu gosto de cozinhar o sabugo e até umas palhas do milho, junto com os grãos, porque acho que aumenta o aroma e o sabor. No caso, acho que a cor também, não? Que lindo!
Gilda

angela disse...

Amnhã blogarei procê e pra Fernanda! Aqui tem fubá de canjica!
Lindo milho..

Anônimo disse...

Esse milho nunca vi mas , serralha hummm que delicia imagino que este prato deve ter ficado maravilhoso. Beijos Denise

Anônimo disse...

Fubá de canjica me soa tanto Minas Gerais (no meu caso, ao menos).
Minha mãe não é navegante da internet, mas, na primeira oportunidade, vou mostrar teu blog para ela. Acho que ela vai gostar.
Beijos e obrigada pela força via e-mail.
Gaby

Anônimo disse...

Esse matinho,é comestível?estou surpresa.
Neide, aqui em casa, ando fazendo o chá de hibisco.Meus filhos, 16 e 14 anos, adoraram!Que maravilha!
Obrigada pelos ensinamentos!
Neusa

Dricka disse...

Hummm, esse tempinho fresco que vem fazendo me fazem suspirar por comidas assim.
Bjs

orges disse...

Estou cheia desse matinho aqui no meu quintal...Obrigado por me ensinar que come-se !

Claudiaroma disse...

Que interessante, não conhecia milho roxo...aprendo demais neste teu blog especial! bjs

Maria das Graças disse...

Neide, quando morei no interior tinha serralha por todo o quintal. Tinha a chance de escolher as mais tenras para usar na salada e em refogados. Hoje, de volta à cidade grande, encontro em uma feira de orgânicos aqui perto e o preço é bem salgado.

Maria das Graças disse...

Neide, em Paris no ano passado fotografei pés de serralha incrustados na calçada ao longo do muro do Museu Rodin. Viçosas e lindas. Só que as flores eram iguais a da serralhinha porém eram amarelas.

Claudia disse...

Neide,

Sensacional, nunca vi angu mais lindo e chique. Putz, uma loucura. Adoraria provar.

Beijos,

Claudia

KANTUTA - LLUVIA DE SABORES Y AROMA DE CAFÉ DE CHARITO disse...

Eu sou descendente de Boliviano y Cubana y já conhecia o milho roxo, pois muita gente acredita que só no Perú exite, porque eles provavelmente foram os maiores divulgadores do milho, porém adorei a ideia do Angu e do pão do milho roxo e peço a permissão para traduzir ao espanhol e coloca-lo no meu blogue.

Já que en Goiás não se encontra este milho, porém sei que na feira da Kantuta em São Paulo se encontra este milho, deixo como pergunta, um desafio e ao mesmo tempo uma sugestão, Será que é possivel fazer: a pamonha, a canjica (munguzá) subtituindo o milho utilizado no Brasil pelo milho roxo?

Neide Rigo disse...

Kantuta, obrigada pelo comentário. Acho que é possível fazer tudo isto sim. Um abraço, N