quinta-feira, 8 de abril de 2010

Bolo de licuri com jenipapo


Vou ficar na maior dívida com a pessoa que me deu um potinho de jenipapo-passa lá no Terra Madre. Já recorri até a São Longuinho para ver se achava na memória, mas nada. O fato é que nem gosto tanto assim de jenipapo, mas assim, em tirinhas desidratadas, é delicioso. E espero que algum leitor que esteve no TM me faça lembrar a procedência desta delícia - só para eu poder agradecer (ah, talvez seja do pessoal de Conceição de Almeida! Tô começando a me lembrar).* veja nota lá embaixo
Aqui em casa tem sido assim, pelo menos enquanto durarem os estoques: no lugar de frutas cristalizadas comuns, só caju-passa e tirinhas de jenipapo; em vez de nozes, amêndoas e avelãs, dá-lhe baru. E, claro, licuri.
Aliás, a festa do licuri é neste final de semana. Veja no fim do post. Se pudesse, voaria pra lá. Como não posso ir, deixo aqui minha lembrança aos amigos de Piemonte de Diamantina. Fiz um bolo com aquela farinha de licuri, que é o resíduo da extração do óleo, e incrementei com as tais tirinhas de jenipapo de procedência desconhecida. Lá vai:
Bolo de licuri com passas de jenipapo
100 g de manteiga sem sal
1 xícara de açúcar
3 ovos
1 xícara de farinha de licuri
2 xícaras de farinha de trigo
1 pitada de sal
1 colher (sopa) de fermento químico diluído em 1 xícara de leite - se a mistura não espumar, é porque o fermento está velho
1/2 xícara de tirinhas de jenipapo passa cortadas em cubinhos e polvilhadas com farinha de trigo
1 colher (sopa) de raspas de limão (qualquer um)
Bata na batedeira a manteiga até ficar cremosa. Junte o açúcar e bata até formar um creme leve. Adicione os ovos ligeiramente batidos, aos poucos, sem parar de bater. Com a batedeira ligada na menor velocidade, junte aos poucos a farinha de licuri misturada com a farinha de trigo e a pitada de sal, alternando com o leite e o fermento. Bata só até misturar tudo. Desligue a batedeira e junte o jenipapo e as raspas de limão. Mexa delicadamente e coloque a massa numa assadeira untada com manteiga e enfarinhada. Leve para assar em forno médio, cerca de 200 graus, por cerca de meia hora ou até ficar com a superfície dourada.
Rende: 30 pedaços
A III Festa do Licuri, que será neste próximo domingo, dia 11 é promovida pela Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (COOPES) e terá como endereço a Comunidade do Milho, município de Várzea da Roça. Vai ter quebra do licuri, gincanas, concursos de receitas e muito mais. Para saber a programação, clique aqui.
* nota: Felizmente descobri a alma generosa que me deu o jenipapo. Esqueci porque foi na correria do último dia. Foi a Neide Alves, a mesma do caju-passa.

Quem quiser encomendar produtos da Neide Alves ou da Grif, entre em contato: grif@oi.com.br, neideartes@oi.com.br, tel. 75-3421-8640 ou 75-3421-8641

3 comentários:

Neide Alves disse...

Neide amada,
Quem passou para vc o doce de jenipapo foi eu a Neide da Bahia,mas vou te contar nunca imaginei que um bolo com jenipapo.Que bom essa idéia por que agora é a época e já vamos começar a fazer os doce e licores.
Abraços e até a próxima receita.
Neide Alves

Margot disse...

Qtos anos nao ouco falar do jenipapo...Na minha infancia me lambuzava do doce que minha avo fazia (ela tinha um peh na casa dela e se fechar os olhos ainda sinto aquele cheiro). E o licor so me foi liberado qdo virei adoslecente, pq antes era so uma molhadinha nos labios. Outra fruta que tambem nunca mais comi, que tinha um peh na casa dela, era o Abio roxo (ele era lindo e fazia lama no quintal dela). Ah Neide...estar aqui com voce eh sempre uma viagem gostosa a minha infancia. Agora, bolo de jenipapo nunca ouvi dizer. Vou passar pra minha mae que com certeza vai adorar.Beijo grande

Silvia - BH disse...

Bolo de jenipapo - já vi um a receita na rede e também já fizeram um aqui que ficou delicioso. Penso que foi com o licor. Num antigo manual da Nestle há uma receita de pudim de jenipapo feito com leite moça. Experimentei-o há um ano, fica também bom.

Pode-se cristalizar o jenipapo - corta-se as tirinhas, açúcar cristal e sol por vários dias até secar e guarda-se me vidros. Faz-se também o doce em pasta.

Hoje fui ao Mercado Central e lá os jenipapos estavam muito feios, amassados e enrugados. Ensinaram-me a deixar os frutos na água e depois usar esta água para fazer o licor. Disse-me o moço que posso deixar até um ano. Aqui só apanhamos o que cai no chão e é outra coisa.

Minha mãe descasca e tira as sementes que guarda separadamente. Congela a polpa pra fazer doce ou suco. O suco é a forma de que mais gosto, bem espesso e gelado num dia bem quente de verão.

Neide, quando você experimentar um jenipapo assim, fresco e bem preparado, vai gostar. Como as vezes puro, a polpa e as semente s e gosto muito desta fruta.