quarta-feira, 17 de março de 2010

Fruta-ovo ou canistel. Pudim de canistel, mingau de canistel, cobrinhas de canistel...

A fruta-ovo já começa a aparecer no mercado novamente. A minha primeira experiência foi com uma que comprei no bairro da Liberdade. Depois passei a encontrar no supermercado e no Ceagesp. Sempre que vejo, compro, pois gosto de comer a polpa pura, que é docinha e cremosa. Nada que lembre a polpa suculenta de um caqui ou crocante de uma maçã. Está mais para batata-doce cozida, castanhas ou, lembrando não só a textura mas também a cor, uma gema cozida. Daí o nome que ganha por aí, fruta-ovo ou eggfruit.
A planta
Da família das Sapotáceas, como o sapoti, o mamey, o caimito e o abricó-de-praia que mostrei aqui, a Pouteria campechiana Baehni foi introduzida no Brasil em 1986, especificamente nos pomares da Unesp de Jaboticabal, a partir de sementes importadas da Flórida, onde também é exótica, já que é a planta é originária da América Central.
Hoje já há alguns produtores comerciais no Brasil, aqui no Sudeste. Mas, como o país tem boas condições climáticas para seu cultivo e como a fruta é nutritiva, gostosa e versátil, é capaz que a produção aumente com o tempo.
Substanciosa: o legal é que cada fruta tem cerca de 300 g e ótimo rendimento de puro purê. É quase tão energética quanto o abacate (140 Calorias ante 160 do abacate), com a diferença que é constituída basicamente de carboidratos, com quase nada de gordura. Tem mais vitamina C que a laranja ou o limão e uma quantidade enorme de betacaroteno (que se transforma em vitamina A).
Quando bem madura, é doce e cheirosa (tem gente que não gosta, que acha forte o cheiro) e pode ser dada como papinha para crianças. Para saber se está madura, basta precioná-la. Tem que ceder levemente como um abacate maduro. Pode ser comprada mais firme, desde que já esteja bem desenvolvida e com coloração amarelo-limão. Em 2 ou 3 dias fora da geladeira deverá estar madura. Se não está muito madura, a polpa tem um látex que pega um pouco na boca e gruda nos dentes.
Os usos na cozinha podem ser infinitos. Pode ser consumida com sal, pimenta, suco de limão, como salada. Vira creme doce, sorvete, pudim, mas também sopa salgada. Batida com iogurte ganha um pouco de acidez que não tem e fica melhor ainda. A polpa pode ainda ser desidratada para virar farinha.
As minhas se acabaram, mas tenho muitas ideias aqui na cachola. Só que precisaria de um carregamento delas e por enquanto ainda estão caras. De qualquer forma, aqui vão algumas sugestões de uso, que fui inventando.
Como veio ao mundo: a polpa pode ser raspada e comida pura, mas pensei em passá-la pelo espremedor de batata e deu nisto. Crianças devem achar mais divertido assim.
Com mel de abelhas nativas e raspinhas de limão ficou bem gostoso, já que o mel confere certa acidez e as raspinhas, aroma.

O mesmo de cima incrementado com cardamomo adquiriu sabor intrigante

É claro, não tem a textura fina de um pudim feito só de leite e ovos, mas fica gostoso e é uma ideia a aperfeiçoar
Pudim de canistel
Para o caramelo
1/2 xícara de açúcar
1/2 xícara de água
Para o pudim
1,5 xícara de leite
150 g de polpa de canistel
1/4 de xícara de açúcar
3 ovos
Raspinhas da casca de um limão Taiti
Faça o caramelo: derreta o açúcar no fogo até caramelar. Junte a água e deixe derreter os torrões que se formaram, até que forme um xarope grosso. Coloque no fundo de 8 forminhas de pudim individuais ou xícaras com paredes retas (usei copinhos de iogurte, com tampas). Para o pudim, bata no liquidificador o leite, a polpa de canistel, o açúcar e os ovos até formar uma mistura bem homogênea. Junte as raspinhas de limão. Distribua a mistura entre as forminhas carameladas, cubra cada uma com papel alumínio e cozinhe na cuscuzeira por cerca de 15 minutos ou até a superfície estar firme. Espere gelar antes de desenformar. Já falei sobre cozinhar pudim na cuscuzeira aqui.
Mingau de canistel
1 xícara de leite
1 colher (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de maisena
2 colheres (sopa) de polpa de canistel
1 pitada de sal
Bata tudo no liquidificador e leve ao fogo, mexendo sempre até engrossar. Se quiser, junte, enquanto cozinha, um pedaço de casca de limão, um pau de canela ou fava de baunilha. Rende 1 porção.

Mingau brulê - o mesmo creme ou mingau aí de cima pode ser aromatizado com fava de baunilha e depois basta deixar esfriar, polvilhar açúcar e queimar - pode usar as costas de uma colher aquecida no fogo (costumo usar uma tampa elétrica que faz o mesmo efeito).
Ou simplesmente feito com a casquinha de limão e depois polvilhado com canela.

A polpa também pode ser batida com iogurte (usei Kefir), açúcar e muito gelo.

O canistel é Sapotácea assim como os abricós-de-praia do Rio de Janeiro, que já mostrei aqui.

10 comentários:

Thales e Graziela disse...

Ei Neide, o Paulinho te achou e me contou e agora eu te achei!! Sou a Graziela da PUC lembra?? Hummm que delícia esse teu blog. Vou olhar com calma.

beijos, Graziela

Neide Rigo disse...

Oi, Grazi!
Estava mandando email agora pro Paulinho. Que coincidência! Imagine que iria me esquecer de você que não deixa de aparecer na casa de todos os brasileiros a todo momento. A última vez que nos encontramos você estava fazendo reportagem pra Globo num Congresso de Nutrição. Faz tempo, hem?
Saudade!
beijos,
N

Luiz disse...

É meio que um abiu farinhento né Neide? Até a semente e o visgo sapotáceo lembram abiu. Era a última fruta do pomar que atacávamos depois de devastar as prioritárias mangas, os cítricos e as goiabas... Um único pé órfão, com aquelas frutas-armadilhas que nos colavam os beiços aos dedos.

Ana disse...

Vixe, quanta coisa....eu nunca vi esse tal, mas que versatilidade hein .

hilda disse...

Onde trabalho (STJ) há uma feira de produtos orgânicos toda quarta. Experimentei, amei o canistel. É uma fruta meio cara! Mas é uma delícia!!!!! Experimentar vicia, agora vou comprar sempre.

amezzomo2002 disse...

Para mim, é uma das minhas futas preferidas, para consumo in natura, assim como o seu primo, o mamey (Pouteria sapota).

Anestor Mezzomo

Anônimo disse...

Oi Neide, estava fuçando em frutas exoticas e achei essa. O interessante é que tenho um pé dessa fruta plantado e vistosona chacara da minha mãe, mas nunca conseguimos comer, por causa do leite. Agora descobri que deve ser porque tentamos comer ainda nao muito maduro...rs... está carregando denovo, vou observar e provar. Obrigada pelas informções.
Lindaucy
lindasosouza@hotmail.com

Alessandro disse...

Esse é meu primeiro post, mas deve ser um dos centésimos acessos ao "Come-se"... Fiquei emocionado ao ler você citando, cara Neide, sobre a introdução do canistel feita pela UNESP de Jaboticabal, faculdade onde fiz meu curso de Agronomia. E é a cada leitura de seu blog que me orgulho de minha profissão... é mágico ver o que brota da terra se transformar em alimento que mata a fome, que sacia, que dá prazer, que reúne amigos, que transforma vidas... Saudades das aulas de Fruticultura onde conheci o mamey, o canistel, o taperabá, a cagaita, o umbu, o ingá... das aulas de Olericultura não convencional onde experimentei salada de beldroega, torta de caruru, geléia de vinagreira, suco de hibisco, feijão com folhas de moringa... Que viagens fantásticas seu blog proporciona!! Me deu até fome... Muito obrigado!

Neide Rigo disse...

Alessandro,
acho que eu teria gostado do curso de agronomia. Mas não passei no vestibular... Obrigada, um abraço, N

Vilmar Amorim disse...

oi me chamo vilmar fpolis descobri que abricó e uma exelente fonte de vitamina b17 e que sua castanha ou seja a sememtem tem um grande poder de cura para o cancer gostaria de saber melhor sobre isto se é verdade ou não..pois vi na internet..fica ai mei imail para contato..se alguem souber ou como faço para encontrar esta fruta..vilmaramorim1@gmail.com..obrigado a quem me ajudar..