sábado, 6 de março de 2010

Come-se no Rio de Janeiro. Ou É tempo de abricó da praia em Copacabana

Marcos veio comigo para aproveitarmos o fim de semana. Ele volta amanhã e eu fico até terça, quando dou uma aula na casa do meu amigo Filipe Miguez só para pessoas amigas. Estamos hospedados em Copacabana e logo cedinho, antes mesmo de o sol azular totalmente o ceu e esverdear o mar (aliás, o dia lindo foi encomenda), comemos pão na chapa e uma média no balcão da padaria como muitos cariocas e fomos caminhar na praia até o Posto 6, para ver a última novidade em peixes - sempre tem. Encontramos os de sempre, mas a pescada tirivira (?) nunca tinha visto. Fiquei com vontade de comprar, mas almoçaríamos fora.
O Rio tem uma paisagem verde exuberante, mas lá longe no horizonte. Perto, no calcadão onde a gente pisa, só algum jardinzinho domado na frente dos prédios, agora todos enjaulados. Da primeira vez que fiquei hospedada em Copacabana, há alguns anos, no mesmo apartamento da Nina Horta, onde estou novamente, as portas dos prédios davam todas para a rua, com calçadas amplas, porteiros conversando na frente. Agora são ornados com horrorosas grades marrons e cilíndricas de alumínio e de um só fabricante, sem o charme daqueles ferros desenhados mesmo nas grades das janelas que comportavam vasinhos de gerânios. As coisas mudaram um bocado de lá para cá.
Aos pés das árvores, matinhos espontâneos não podem nascer, pois o cimentado vai até o cortex, confinando-as cada uma no seu redondo. Felizmente há lindos parques onde a natureza pode ser apreciada mais de perto. E tem o mar, coisa linda o mar. E muita gente sorrindo.
Mas, voltando, encontramos vários pés de abricós-da-praia (Mimusops commersonii), parente da canistel, aquela a que chamam de fruta-ovo. Ambas tem polpa cremosa, meio massilenta e são Sapotáceas. Colhemos algumas e trouxemos para comer de colherinha. São bem gostosas, docinhas, sem acidez, com um leve sal de maresia. E, ainda a confirmar, parece que tem muito oiti caido nas calçadas.
Depois pegamos a barca para Niteroi e fomos conhecer o Museu de Arte Contemporânea. Antes disso, porém, passamos no Mercado São Pedro, de peixes. Era só pra comer um bolinho de bacalhau com choppe, mas acabamos comprando camarão, o restaurante preparou e comemos até dizer chega. Além de outras gostosuras. Conto no próximo capítulo porque agora chove e abrimos um vinho.


Abricó-da-praia. Diferente do abricó-de-macaco, que também abunda por estas bandas, este é de comer e é gostoso.
E tem coco da Bahia. Um pezinho, mas tem, na Avenida Atlântica.
A tal pescada tirivira ou outro nome que não entendi. Alguém conhece? Só R$ 10,00 este montinho.
Nota: graças à ajuda do Newton, do blog Ecosapiencia - veja no comentários, descobri que o peixinho é o tira-vira ou Percophis Brasiliensis (brasilian flathead). Os filés sem espinhos são brancos e fininhos. Agora fiquei na maior vontade de comer tira-vira.

6 comentários:

ecosapiencia disse...

Boa noite Neide!

Esse bichinho ai é um Percophis Brasiliensis, ou "Tira-vira". E dá-lhe sotaque carioca do vendedor de peixes!

Bjos

Newton

Neide Rigo disse...

Grande Newton! Já coloquei uma notinha aí no post. Obrigada.
Um abraço, n

Anônimo disse...

Já comemos muito messe bichinho frito! É uma carne branquinha e muito boa. Pode se deliciar!

Com carinho
Cátia Milhomens

Daniel Brazil disse...

Engraçado é que o formato é bem parecido com o da tuvira (Gymnotus carapo), peixe de água doce bem brasileiro.
Tuvira, tiravira. Deve ter uma raiz linguística comum, tupi-guarani.

Anônimo disse...

Delícia. Me lembro das pescarias com o meu pai em São Conrado. Quando a água gelava, era de duas ou três por vez. Fritinho é DEMAIS!!

Marcelino Bedin disse...

Em Sampa também conhecemos tal peixe como Tuvira. Normalmente, por ser apanhado pequeno, é utilizado como isca para outros peixes, como o dourado e a traíra.