segunda-feira, 13 de julho de 2009

Amendoim-de-árvore


Pelas respostas à última charada, vejo que muita gente já conhecia estas castanhas que para mim, assim como para os outros leitores que arriscaram, ainda era um mistério. Acertaram em cheio: Elena sem H, Bruno Moreira-Leite, Isabel, Sanoliv e Sítio Curupira (inclusive já foram mostradas em seu blog).
De todos os ingredientes que falo aqui, muitos chegam até mim e não eu a eles. Às vezes em dose dupla. Explico: no feriado acabei não indo ao Vale do Ribeira, na troca de sementes dos quilombolas, mas precisei ir a Piracicaba visitar a sogra. E sempre que vamos para aqueles lados insisto com o Marcos para que, em vez de pegar a reta e rápida Bandeirantes, vá pela Rodovia Anhanguera, mais longa e cheia de curvas, por mero capricho. Sem reclamações, sou sempre atendida. Só para poder parar no Frango-Assado original, do lado direito da pista, na altura de Louveira. Não pelo frango nem pelos enormes pães de semolina, carros chefes do lugar, mas porque é lá onde se vendem umas mudas de frutas estranhas. Desta vez me chamaram a atenção a Physalis trepadeira, de variedade diferente dos camapus que tenho aqui nas calçadas, e um pé de amendoim de árvore, do qual nunca tinha ouvido falar. O rótulo pendurado no galho não dava grandes dicas, mas dizia que as sementes poderiam ser torradas e tinham gosto de amendoim. Ótimo, de comer.
Até aí, tudo bem, as coisas me chegam geralmente assim. Mas, para completar o aprendizado, em Piracicaba fomos almoçar por acaso na casa de um primo do Marcos e entre uma garfada e outra passei um olhar indiscreto pela cozinha procurando algo de meu interesse. Dei de cara com uma assadeira cheia de frutinhos secos abandonada num canto. A pergunta de sempre: O que é isto, é de comer? / A gente dá pro papagaio, tem um pé lá na chácara, mas tem gente que come, tem gosto de amendoim foi a resposta do primo. Quebrei uma das nozes apertando a casca firme e quebradiça e provei; tinha mesmo o sabor de amendoim cru, muito suave, gostoso.
A palavra amendoim e o sabor que senti me fizeram desconfiar se tratar da mesma planta que havíamos acabado de comprar. Fomos conferir no carro e o primo confirmou, era a própria. Fiquei tão empolgada que quis ir até a chácara ver a árvore com frutos. O primo tinha acabado de vir de lá, mas topou voltar, já que estávamos perto – cerca de 8 quilômetro dali. Chegando ao pomar, contemplei, colhi, fotografei, comi. E no caminho de volta, ainda desviamos para ver mais uma carreira de árvores com frutos na calçada de outra chácara. Pronto, estava satisfeita. Agora era chegar aqui e saber mais.


O pezinho que comprei na loja do Frango Assado

O exemplar piracicabano e o primo Claudio coletando os frutos abertos no chão

O fruto que colhemos lá. Uma cápsula que, quando madura, se abre, expondo as sementes envoltas em paina (é parente da paineira)

As sementes comestíveis envoltas na paina
Descobri que a Bombacopsis glabra Pasq. é parente da paineira, e é também conhecida como castanha-do-maranhão, cacau-do-maranhão, mamorana, cacau-selvagem ou amendoim-de-árvore. A família Bombacaceae, à qual pertence, está distribuída pelas regiões tropicais da América, África, sudeste asiático e noroeste australiano. No Brasil, o amendoim-de-árvore ocorre naturalmente entre Pernambuco e Rio de Janeiro, em formações secundárias de floresta pluvial atlântica e começo de encostas – no interior de matas primárias e densas, esta planta é raridade. Mas, em se plantando, em qualquer lugar dá. Em Santa Catarina é usada como cerca viva e em várias outras cidades é usada como árvore ornamental. Chega a atingir de 4 a 6 metros; tem tronco fino, com no máximo 40 centímetro de diâmetro e folhas compostas e digitadas com 5 a 7 folíolos. A floração começa a partir de setembro, sendo que a safra dos frutos vai de janeiro a fevereiro. Mas, um ou outro fruto pode ser encontrado durante o ano todo - prova disto é que colhemos estes frutos da foto agora, em pleno julho.
As cápsulas, quando maduras e secas, caem e se abrem espontaneamente liberando as castanhas cobertas com uma fina paina que se solta facilmente num esfregar entre mãos. Já o cerne comestível é protegido por uma camada mais firme me flexível, quase como uma castanha portuguesa - porém, depois de seca e torrada, pode ser quebrada com a pressão dos dedos. Podem ser comidas cruas ou torradas. Eu preferi cruas, com textura de amendoim ainda verde e sabor do mesmo. Tostadas no forno (deve-se cortar uma pontinha com a tesoura para que não estourem) ganham um sabor amendoado, mais suave que o amendoim.
A planta é
parente também de outra espécie muito parecida, a Pachira aquatica, que recebe os mesmos nomes populares, além de macuba, e também tem as sementes comestíveis. Porém seus frutos são de cor terrosa e as flores tem pontas vermelhas, diferente da Bombacopsis, que tem flores frutos verdes e flores brancas. Lembro ter visto muitas destas no Parque do Flamento, no Rio. Mas ainda não comi.
Li num artigo que o amendoim-de-árvore pode ser uma boa alternativa como fonte proteica e de ácidos graxos (como quase todas as sementes comestíveis), na África, onde a árvore cresce abundantemente. Não encontrei referências culinárias sobre pratos feito com ele, mas quando chegar a safra prossigo na pesquisa. Enquanto isto, se alguém souber de algum preparo com este ingrediente, qualquer informação é bem-vinda.
Lembrando: é hoje lá na Livraria Cultura, às 18 horas. Apareça!



10 comentários:

Bruno MOREIRA-LEITE disse...

Oi Neide,

Eu conheço os frutos de Monguba exatamente do local que você citou no post... do aterro do flamengo, onde esta árvore é bem abudante. Como tenho uma certa curiosidade por botânica, acabei descobrindo que ela era prima da castanha-do-maranhão, sendo também comestível.

Uma outra árvore que eu sempre observo, mas ainda não tive coragem de provar os frutos é o "abricó de macaco" (Couroupita guianensis) - o seu aroma não é muito convidativo e dizem que o sabor não é lá grande coisa, os bichos costumam apreciar mais que nós esse fruto comestível - que tem em abundância por alguns lugares do Rio de Janeiro como o próprio aterro, o Museu de Arte Moderna e o Jockey Club. Aliás, o Jardim Botânico é um verdadeiro paraíso para quem gosta de espécies exóticas.

Um Grande abraço;
Bruno.

clau disse...

Nossa...
Eu fico sò imaginando as coisas que vc ja experimentou e o qto ja aprendeu sobre elas...!
Deve ser mais ao menos o que me acontece com musica, com rock mais especificamente.rss
E esta plantinha, que vc nos apresentou, tem la toda a minha simpatia pq gostei do que vi e li aqui.
Boa semana, Neide!

severina disse...

Oi tudo bem neide? eu estou contente em saber que vc se enteressa enm saber quais frutas servem para alimentação,pois tem tantas que Deus deixou enão sabe que muitas delas são alimentos saudaveis ,para crianças e adultos ,e muitas até curam.
EU fui a NOVO HORIZONTE e nas calçadas das casas tem um arvóre parecida com essa das fotos e os frutos tambem, eu peguem com tanta vontade de comer ,e ainda não tive coragem,pensando que não é a mesma e que pode ser venenosa.Meu e-mail severinaramospaz@hotmail.com ABRAÇO PARA VC. 7/3/2011

Bruna Crema Milman disse...

Olá, eu viajei para Jurere Internacional, em Florianópolis e achei essa planta, o amendoin de arvore. Trouxe para casa e plantei... Nasceram dois brotinhos. Não tinha ideia do que podia ser...

ADAIR disse...

BOA TARDE
MORO EM SAO LEOPOLDO RIO GRANDE DO SUL GANHEI UMA MUDA DESTA ARVORE DE UM CLIENTE E PLANTEI NO MEU QUINTAL.HJE ELA SE EMCONTRA COM 3 MT DE ALTURA ME SURPREENDI QUANDO ADIMIRAVA A PLANTA PERCEBI DUAS BOLAS FIQUEI ENCANTADO DOIS DIAS DEPOIS ABRIRAM E AS SEMENTES CAIRAN NO CHAO ACHEI QUE SE TRATAVA DE UMA CASTANHA DO PARA MAS A SEMENTE E MUITO DIFERENTE NAS PESQUISA EM CONTREI VC COM SUAS ESPLICAÇAO ACHEI MUITO INTERESANTE

ATE ADAIR GRUNDEMANN

Rafael disse...

Olá...
Tenho essas sementes em casa, um parente me trouxe de um sítio aqui no Paraná...

Essa muda de árvore eles ganharam e plantaram como se fosse castanhas, porém nunca havia produzido, agora que produziu não reconheceram como sendo castanhas e ficaram curiosos para saber.

Acabei recorrendo a net e encontrei essa explicação que nos surpreendeu...

Um Grande Abraço...
Rafael.

Karina disse...

Olá. Sou de São Pedro do Ivaí, no Paraná. Meu pai, como todo bom japonês e agricultor, adora cultivar plantas frutíferas e exóticas, mas não se lembrava mais do nome dessa árvore que ele adquiriu de um vendedor. Resolvi recorrer à internet e achei o seu blog. Obrigada pelas informações, seu texto é bem completo.

Abraços, Karina.

Adair Grundemann disse...

hje dia 13/03/2012 fiz a segunda colheita com cinco frutas que resultou em 22 sementes teho pena de comer pois e muito raras a planta esta com uns 4 mt de altura e fas 3 anoa que plante ela tinha 1 mt.
um abraço a todos
jardinagem@grundemann.com.br
www.grundemann.com.br

Célia disse...

Olá. Ganhei uma muda e plantei na calçada(Em Barra Mansa- RJ), e só agora descobri aqui o que é. Foi td de bom ler a sua explicação. Abraços e obrigada.

Anônimo disse...

eu tenho duas arvores desta castanhas no meu quintal que estao carregadas logo vamos colher eu vou fazer mais mudas aqui em sorocaba o clima favorece e uma delicia esta castanhas e as flores dela tem um perfume especial e a noite exala mais forte e muito facil fazer mudas eu poderia mandar sementes para quem se interessar valdir paiffer sorocaba sp