segunda-feira, 27 de abril de 2009

Turu com terroir do mangue marajoara

Já mostrei o turu e falei do bichinho AQUI.

Desculpe aí, hem, pessoal. Desta vez a charada estava hermética demais e, a não ser pela cestinha com motivos marajoaras e a folhinha de chicória-do-pará que cresce aqui no meu jardim e deixei como dica na foto, realmente algo empanado e frito poderia ser qualquer coisa: cebolas fritas ou tempurá de camarão como pensaram a Rebecca e a Pat. Ou ainda pele de frango à pururuca, como quiseram o Rogério e a Nina. Sim, bem que poderia ter saído desta cozinha uns torresminhos assim – uma vez tirei toda a pele de um frango para deixá-lo mais light, fritei e comi todo o courinho crocante, que eu poderia ter deixado grudado à ave e dividido com a família.

Poderia ser também polvo como chutou a Mad, ou coró a milanesa – e aqui o Rui passou perto; lulas, cebolas, iscas, como arriscaram o Zé Augusto, a Marília, a Turmalina, o Paulão e o Espressa-mente; ou até um "cervello in farinato", viajou à Itália o Leo (e isto deve ser bem bom).
Até com choco (sépia) se parece, sim, Maria, por que não? Ovas de peixe foi o palpite do Pablo e imagino que, empanadas, devem ficar bem gostosas também. O bicho do mato arriscou um peixinhos da horta. Claro, vagens da horta empanadas, não peixes de verdade. E isto dá água na boca. Enfim, tudo poderia ser.

Mas o troféu turu da semana quem leva mesmo é a Letrícia, do blog No Calor do Fogão. Como ela advinhou, não sei. Esperta a menina. Pelo menos me tirou a culpa de enganadora. Obrigada a todos que participaram.



Descobri um pacote de turu congelado esquecido no freezer, mandado por minha amiga Jerônima, lá da Ilha do Marajó. Aproveitei pra fazer estas receitinhas.
Para empanar
, como mostra a foto do post anterior, apenas temperei com sal e pimenta-do-reino, rolei no fubá e fritei no óleo quente. Eliana me viu temperando e disse que não comia aquela coisa lambisguenta nem que estivesse passando fome. Mentira, como diz a Nina Horta: se tem fome, come sim. Melhor que farinha de bró, aposto. Depois de frito, convenci a moça a comer e ela não se arrependeu. Repetiu. Fica muito bom, lembra aneis de lula, mas com sabor muito peculiar, que só o turu tem. O terroir do mangue. É só se despir do preconceito.

Para a receita da foto acima, turu no azeite, alho e salsa, simplesmente joguei pedacinhos na frigideira quente. Assim que mudaram de cor, escorri o caldo (ele solta uma aguaceira danada) e reservei a carne. Dourei alho em azeite, juntei o turu, temperei com sal e pimenta-do-reino, tirei do fogo, acrescentei cheiro-verde e nhac com batatas polvilhadas com pimentón de la vera.

E aqui um vídeo que passou no Globo Rural da semana passada na fazenda dos meus amigos, Jerônimo e Brito (pais da minha amiga Kátia Brito), de onde veio o meu turu. O vídeo mostra, além do turu em seu habitat, ainda a famosa moqueca de filhote no leite de búfalo. Ai, saudade.



6 comentários:

Letrícia disse...

Oi, Neide! Eu desconfiei que fosse turu justamente por causa da série de reportagens que o Globo Rural apresentou sobre comida paraense :-)

Já tinha visto o turu por aqui e vi de novo no programa (por isso, o bichinho ainda estava fresco na minha memória). Aliás, por causa do Come-se, eu já tinha alguma familiaridade com a estrela de uma das matérias - D. Jerônima e sua moqueca com leite de búfala.

Beijo!

Neide Rigo disse...

Ah, mais uma para a turma dos fãs do Globo Rural! De qualquer forma, Letrícia, você foi perspicaz. beijos, n

Afrika disse...

Maravilha Neide, ainda bem que você vai explicando, quer seja através de o nome cientifico, de vídeos ou imagens o que são esses nomes que põem no Comes. Porque eu fico assim meio perdida as vezes com os nomes regionais de muita coisa que aqui se escreve :D

Beijinho pra você

P.S Um dia vou ter de jogar na lotaria pra poder viajar pelo Brasil e descobrir todos esses sabores

Neide Rigo disse...

Lídia,
não se preocupe, que muita coisa mostrada aqui é desconhecida mesmo para nós.

Um beijo, n

Amanda Scapini disse...

Eu vi no Globo Rural!
Meu pai deixa gravando todo domingo e manhã e assiste depois do almoço. :)

lais araujo disse...

oi eu sou do pará e sou formada em pesca,desenvolvo um trabalho a respeito do turu...Pra vcs parece ser estranho comer(eu nunca comi confesso)mais relamente é estranho comer isso,mais se persamos melhor tem tanta coisa q aparenta ser anormal nesse mundo!
Tudo é uma questão dos olhos q veen as coisas...beijus