segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Abóboras - abóbora assada e compota de abóbora



Estas são aquelas abóboras de antes da viagem, com que fiz curau e bolo. Pasmem, isto mesmo! Mais de duas semanas cortadas, guardadas na geladeira. Não fossem ganhadas da Veronika e da Silvia, que colheram elas próprias de seus quintais orgânicos, acharia que eram transgênicas, longa-vidas. Lá da Itália escrevi para o Marcos: "Por favor, tem dois pedaços de abóboras na geladeira – prepare e coma ou congele". Quando voltei, fuçando a geladeira, achei lá os dois pedaços perdidos atrás das folhas, inteiraços. "Ué, você não preparou a abóbora?" / "Não, preferi congelar"/ "Congelar? Como, se os pedaços estão aqui?"/ "Congelei um troço de abóbora que estava aí na geladeira". Fui conferir, e o que ele tinha guardado no freezer era uma bela de uma sopa da abóbora que jazia esquecida há mais tempo que os pedaços na geladeira, quase podrita. Aqui em casa ninguém nunca sabe quando a podridão é intencional. Minha faxineira disse não saber mais o que é estragado e o que não é. Como posso exigir dela que jogue fora um tomate trincado, babento e fungado se digo que aquela pasta tailandesa de camarão fedorento ou aquele gorgonzola que chega a estar azul de tanto mofo estão bons para comer? Então ela prefere não jogar nada, nem que a coisa já tenha perdido a forma. Vai que é experiência ou esquisitice desta gente? Na dúvida, pró réu. Permanecem todos, os bons e os maus, na geladeira até que eu os descubra. Mas, voltando às abobrinhas, a sopa de abóbora não denunciou escancaradamente sua podridão. E os pedaços bons, honestos e ainda frescos das abóboras antigas conseguiram se safar do congelamento forçado. Sorte. Viraram compota e fatias assadas com especiarias, que fiz a olho, mas anotei. Aí vão:


Assim, macia e temperada, vai vem com salada de folhas bem crocantes

Com caranguejo do Marajó. Os dois têm a mesma textura

Abóbora assada com especiarias

1/2 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de açúcar mascavo
1 colher (chá) de mel
1 pitada de pimenta-do-reino moída na hora
1 colher (sopa) de suco de limão
1 colher (sopa) de menta picada
Raspas de um limão Taiti (raspadas no microplane que ganhei da Fernanda, do Chucrute com Salsicha)
2 colheres (sopa) de azeite.
5 fatias do pescoço da abóbora madura, com casca (280 g)

Faça uma mistura com os temperos e lambuze bem cada fatia. Espalhe numa forma e leve para assar em forno médio (200 ºC) por meia hora. Sirva assim, puro, como acompanhamento ou use como base para um refogado de carne de caranguejo e camarão.

Rende: 5 fatias (claro!)

Doce de abóbora em calda (foto lá em cima)

600 g de abóbora madura picada em cubinhos de 1,5 centímetro
1 colher (sopa) de cal virgem

2 xícaras de açúcar
1 xícara de água
1 pedaço de raspa de limão
1 anis estrelado
Sementes de 3 vagens de cardamomo
1 pedaço de canela
5 cravinhos

Numa tigela de vidro, deixe a abóbora de molho por 1 hora em dois litros de água com a cal virgem dentro de uma trouxinha. Escorra, jogue a trouxinha fora e enxágüe bem a abóbora.
Numa panela coloque os ingredientes restantes e leve para ferver junto com a abóbora. Quando formar uma calda rala e os cubinhos estiverem macios (crocantes por fora, macios por dentro), está pronto. É só esperar esfriar, tirar as especiarias, se preferir, e servir puro ou com um tantinho de creme.

Rende: 6 porções


Nota: a cal virgem é produto da calcinação das rochas e é responsável por deixar a superfície dos cubos crocantes, enquanto o interior fica macio - pode ser comprada em casa de festas.

8 comentários:

Anônimo disse...

Olá Neide
"caí" aqui no seu blog, procurando como desidratar folhas em casa. gostei e gostaria de saber se vc pode me ensinar, pois estou com vitiligo e descobri que a serralha é um ótimo remédio, consegui várias folhas e gostaria de desidratá-las para poder utilizá-la sempre. Se vc puder me ensinar agradeceria, se não puder, entendo.
obrigada
Leila
leilarcosta@bol.com.br

Odete disse...

Neide,esse doce em calda me lembrou quando ha muitos anos atras, levei uma tigela enorme dele para um jantar de Thanksgiving na casa de amigos e disse ser apenas uma compota. Quando descobriram que era de abobora ficarm intrigados, gostaram muito e queriam saber como faze-lo.
Vou esperar pelas aboboras maduras no outono e preparar com sua receita.
Beijos

pedrita disse...

e adoro todo o tipo de abóbora. adoro cozinhá-las e inventar preparos. beijos, pedrita

Simone Izumi disse...

Neide, em casa é igualzinho!! A geladeira parece um quartinho de bagunça as vezes...e a minha empregada não joga nada agora , pois certa vez ela jogou um pepino mole inteiro pensando que estava estragado, mas era uma conserva japonesa que a minha sogra havia feito para o meu pai!!!hahahahha...
Adorei essa compota de abóbora...me faz lembrar que tb tenho pedaços cortados de abóbora na minha geladeira faz semanas...boa idéia!
bjs

Viva com Orgânicos disse...

Neide! Esta sua abóbora me deixou com água na boca!!!!!!

E vou apreovetiar o moento (no finzinho!!!!0 Pra fazê-la também!
Bjs e a´te breve,

Ale MAdeo

Ana disse...

Neide:
Estou rindo pelas muitas semelhanças de geladeira e de empregada. Coitadas !! Mas a minha não joga fora nadica de nada mesmo que esteja exalando...ahaha
Também uso a cal no doce de abóbora, mas a diferença é que não uso água. Simplesmente coloco numa panela alta (a de pressão por exemplo) a abóbora cortada e o açúcar cristal. Deixo tampada de um dia para o outro pois no dia seguinte, o açúcar tá derretido e a abóbora soltou muita água. Aí é só deixar ficar no ponto desejado da calda.

Experimente qualquer dia. Segredo da Dona Odila, minha mãe.

Neide Rigo disse...

Leila, espero que tenha recebido minha resposta por email.

Odete, posso imaginar o sucesso.

Simone, sempre tem uma primeira vez pra traumatizá-las. Ou seja, jogar fora uma iguaria nossa.

Ana, preciosa dicada dona Odete. Obrigada.

beijos,
Neide

dri disse...

Viva Neide!
Desta vez venho aqui para lhe agradecer a foto que me enviou.
Quero também dizer-lhe que usei,a ilustrar um post meu,o garfo com a linnnda salada em fundo vermelho...
No momento em que o pus esqueci-me de referir a autoria da foto mas já frectifiquei essa gaffe.
Beijo de gratidão
Dri