segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Melão caipira



Sabem aquele sabor perdido das coisas que morrem junto com a infância? O do melão caipira é um desses e estava arquivado junto com seu perfume. Havia tempos que o buscava, nunca mais tinha visto. Lá pelos anos 70 do século passado (é tempo, hem?) ele era comum lá em casa, no pós-viagem de férias ao Paraná. Na volta, meu pai parava o carro e comprava deles na estrada. O cheiro vinha atiçando as vontades e prevendo as saudades, porque depois deste chorinho, passaríamos mais longos 12 meses sem ele. Com minhas primas e irmãs, vasculhávamos as roças de café e milho à cata de melancias, melões e pepinos – todos frutos da mesma família das cucurbitáceas – ou do que desse para comer cru, no pé, assim mesmo, sem lavar. Uma faquinha e um tantinho de sal no embornal eram providenciais (no filme Conversas com meu Jardineiro, faca e barbante aparecem como salva-pátria). Fazíamos estragos, abríamos vários melões caipiras para escolher o mais doce, o mais perfumado. Os restos imaturos, insípidos, ficavam às moscas. O mesmo fazíamos com melancias e pepinos que, crocantes, comíamos partidos com sal.

Em São Paulo hoje temos todo quanto é tipo de melão – cantaloupe, charentais, pele de sapo, gália, honey dew, etc, mas cadê os caipiras? Ficaram, parece, mais restritos a algumas zonas da região sul, nas mãos de pequenos produtores. Ou sabe-se lá onde. Os amarelos, mais comuns, até que eram doces há uns 20 anos, mas agora em tempos de exagero para menos na gordura, no açúcar e no prazer, melões foram reduzidos a pepinos adoçados com lights ciclamatos. Injustiça com os pepinos, já que os da roça eram saborosos, crocantes, refrescantes. Se ao menos melões ficassem melhores com sal, mas nem isto. Foram ficando tão sem-graça, tão desanimados, que chegou-se ao cúmulo de uma marca vender seu produto pelo dobro do preço, sob o apelo de “eu sou doce”. Verdade. Eu vi.
Por isto, não pude deixar de parar na estrada para Fartura-SP, onde um produtor em seu caminhãozinho vendia estes melões de até 3 quilos vindos do Paraná. O nome da estrada: João Mellão
.
Perfume de melão, sabor de melão.

24 comentários:

bruna lyrio disse...

Que lindo esse melao, Neide! Me deu água na boca. Realmente, os meloes que encontramos nos mercados em geral sao extremamente insípidos!
Um beijo,
Bruna.

pipoka disse...

Neste mundo de comida plastificada e normalizada, cada vez mais sinto nostalgia dos tais sabores de infância de que falas!

bjs

Sill disse...

Neide, aqui pros meus lados tem um produtor q põe um selinho:"sou saboroso" pq todos têm gosto de água... uhm q vontade desse capirinha aí! bj Sill

Katia Mine disse...

Neide,
Aqui em Cuiabá tem muito desse melão, no supermercado, vendendo nas ruas, nunca comi e nem experimentei, perguntei uma vez no supermercado se era bom, e me disseram que era bom só para fazer suco. Da próxima vez vou comprar e experimentar.
bjos

Marizé disse...

È bem verdade Neide, onde está o sabor puro de outros tempos?

Beijocas

Ana disse...

Neide:
Seu blog é uma "delícia". Descobri que temos tanta coisa em comum.
A saga das roças de melancia e assemelhados é tão presente em minha memória de interior de São Paulo, também.
Atualmente moro em Curitiba e quando vou para Brotas acabo passando pela Rodovia João Mellão. Infelizmente não na altura de Fartura (lindo esse nome hein ??) para poder comprar os melões. Em compensação, um pouquinho antes, próximo a Riversul (acredite, é no Brasil), sempre há venda de milho verde do mais saboroso com o qual faço cural e bolo (ralado mesmo, como nossas avós).

Abração pra você, parabéns.

Um abraço

Neide Rigo disse...

Katia, há váriedades deste melão caipira. O que conheço, este da foto, é bem doce. Mas não sei o que tem por aí.

Ana, adorei esta cidade: Riversul! E fiquei com água na boca pelos milhos. Encontrei o melão na altura da cidade de Taquarituba, quase na esquina da estrada para Fartura, que fica a 30 quilômetros dali. Um abraço,
N

Helena Garcia Lima hgsslima@portoweb.com.br disse...

Neide, teu blog continua uma "dilícia"! Esse melão é uma coisa de outro mundo de tão bom. Nunca comi outro que não fosse esse... Ele é uma das minhas melhores lembranças da infância também. Depois do almoço meu avô partia o melão bem nos gomos e distribuía entre a família. O auge do auge era degustar a fatia, bem suculenta, com um pouquinho de açúcar por cima.

clau disse...

Nossa! Eu nem acredito!
So aqui mm para se ver algo assim.
Pq finalmente, depois de mais de 35anos, revejo um melao igual aqueles que meu avo trazia qdo ia la em Buritama...!
Foi uma coisa que me ficou na memoria, inclusive o gosto.
Pq, para ser franca, nao gosto muito de melao: sò este, que achei o maximo...
Mas começava a acreditar que nem existia mais, tal o desconhecimento dos caipiras de plantao.
Nem acredito!
Valeu!
Bjs!

sôla disse...

Neide.
Tenho uma horta essencialmente orgânica.
acabei de colher mais de 300 melões Caipira saborosos, doces e perfumados.
imagine só; não tenho para quem vender.......
sôla
Palmeira Pr.

Neide Rigo disse...

Oi, Sôla,
escreva para o meu email. Quem sabe a gente não divulga aqui o seu melão. Um abraço, N

Maísa disse...

Olá Neide,

Meu nome é Maísa, mas estou falando em nome de uma amiga que se chama Miriam. Ela tem um jardim onde plantou melão caipira. É isso mesmo. Plantou melão caipira no jardim de sua casa em Salvador. As sementes vieram de Petrolina. A floração está acontecendo agora e já aparecem alguns frutos. Mas alguns desses frutos estão caindo ainda pequenos. Gostaríamos de saber o que está acontecendo. Estamos procurando a solução desse problema com os melões.

Receba abraços carinhosos de duas baianas.

Neide Rigo disse...

Oi, Maísa! Que bom saber desta plantação de melões. Sinto não poder ajudá-las, pois entendo bem pouco de cultivo. Acho que deveriam consultar um agrônomo. Certamente ele poderá ajudá-las.
Um abraço e boa sorte!
N

Luiz Artur (luiz_artur@terra.com.br) disse...

Boa tarde a todos... Alguem sabe informa onde encontro desse tipo de melão em SP? Obrigado.

Antonio Correa disse...

Olá Neide. Sinto saudades desse melão. Gostaria de saber, se alguem que leu e ainda vai ler, me consegue sementes. Foi tambem a fruta da minha infancia no meio dos cafezais. Parabens pela lembrança. Obrigado Antonio Cunha

Lidia disse...

Oi, Neide.

Não sei se vc lerá esse comentário, mas não pude deixar de vir aqui pra contar que a ISLA tem sementes desse melão lindo do seu post.

Ainda não vi por aqui onde moro pq é uma "roça atrasada", mas vou entrar em contato com eles pra saber, pq gosto das cucurbitáceas. rsrsrs

Caso se interesse:
1 - http://isla.com.br/cgi-bin/detalhe.cgi/semente/melancias-e-meloes/melao-gaucho-caipira?id=181
.
2 - http://isla.com.br/cgi-bin/detalhe.cgi/semente/melancias-e-meloes/melao-gaucho-redondo?id=182

Adoro seu blog!

Bjs.

Anônimo disse...

OI SÔLA...
gostaria de saber se vc tem ainda esse melão caipira, pois estou louca para conseguir sementes dele p/ plantar.. se tiver mande resposta no meu email....

Anônimo disse...

OI SÔLA...
sou a nice gostaria de saber se vc tem ainda esse melão caipira, pois estou louca para conseguir sementes dele p/ plantar.. se tiver mande resposta no meu email....
nicejpb@terra.com.br

lucas disse...

ola meu nome e bernardo sou de guarulhos eu sempre procurei por esta fruta mas neguem conhece mas não desisti eu consegui sementes de melão caipira numa casa agricula a eu segui as instrução da embalagem a plantação esta linda estou aguardando sair os frutos segue o tel e e-mail do produtor (24)22229000 www.topseed.com.br www.info@topseed.com.br

Anônimo disse...

Boa tarde Neide.
Por acaso entrei no google e vi e li,a foto do melão.
Eu gosto de ler e saber sobre plantas e frutas principalmente as nossa do interior.
Parabens pela materia ha conheço bem a rod. João Melão.
Sou de ITAPORANGA SP.
Quando a gente ia para sitio da minha tia passando pela estrada sentia aquele cheiro tão agradavel que jamais saiu do nosso oufato.
Sem mais agrço por voce cultuar a nossa raiz iteriorana.
LUIS CARLOS direto de SAMPA.

Anônimo disse...

Ola Neide..
Você nao vai me acrditar. Eu nasci no interior do Parana, hoje moro no Canada, ontem mesmo estava comentando com uma amiga no trabalho que quando eu era criança, nos eramos pequenos produtores entre outas coisas melancia, pepinos et cultivavamos este tipo de melao que restou apenas na minha memoria, o perfume, sabor etc. Minha amiga me disse ( Você tem certeza que esse melao existe, nao é coisa de lembranças confusas de criança), bom, acordei de manha e disse a mim mesma, vou pesquisar na internet para saber se sou a unica no mundo ter comido esta delicia, para minha surpresa!! Toda a descriçao da minha infancia estava no seu texto. Ir para roça com uma faca e sal comer pepinos, as vezes buscar melancia ou entao ver se ja tem melao maduro...Obriga pelo texto, que delicia isso...Posso provar a minha amiga que nao sou doida, ela nao sabe português, mais vai poder ver as fotos, pois disse que nunca viu melao nesse formato...Eu vou para o Brasil dentro de alguns dias e vou tentar encontrar semente..Se você souber onde posso encontrar me mande um emil: raquelturchetto@yahoo.com.br

Um abraço..
Raquel

Anônimo disse...

Eu fui criado no interior do Paraná e conheço bem este melão caipira. Lembro-me até do aroma delicioso e incomparável. Não há quem consiga esconde-lo, pois seu cheiro vai longe. Eu raspava a polpa num prato com um pouquinho de açúcar e algumas gotas de limão. O melhor de todos!!!

Gustavo Freitas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cel disse...

Oi Neide! A sua postagem chamou a atenção do meu esposo, João Reghin. Por volta dos anos ele era produtor de melão e abastecia essa região. Muitas vezes o acompanhei em viagens para Avaré, Ourinhos, São José do Rio Pardo... entre outras cidades. O abastecimento de sacolões, mercados eram feitos por ele e seus irmãos,além de vendas pelas ruas. Boas lembranças! Somos do norte do Parana´e o interesse na retomada do cultivo de melão caipira o levou a ler sua postagem. Ele tem realizado várias pesquisas e assim encontrou a sua postagem. Ele ficou muito emocionado, pois conhece muito a Rodovia João Melão!! Por ela passou muitas vezes transportando seus melões.
Bjos...
Célia